Parece que todos os anos as pessoas, independentemente do local onde vivem, diante da mudança climática de verão para inverno, começam a sentir os desagradáveis sintomas de tosse, febre, fraqueza e dores. Embora existam pontos de vista diferentes a respeito de como essas doenças são transmitidas e se proliferam, será que há alguma maneira, além de agir com sabedoria, pela qual alguém possa se proteger a si mesmo, a seus familiares e amigos desses males físicos que surgem com mais frequência no inverno? Algo que traga alívio e cura permanentes? Podemos começar a nos conscientizar de que nos encontramos agora mesmo na atmosfera do Amor divino e, conforme o vigoroso discurso do Apóstolo Paulo para a platéia no Areópago, em Atenas, “…vivemos, e nos movemos, e existimos...” no Espírito, “porque dele também somos geração” (Atos 17:28).
Essas ideias também estão expressas com muita força e clareza em um poema publicado em inglês, e que consta do Hinário da Ciência Cristã (ver hino 144). O que chama muito minha atenção no original em inglês é a imagem de que “respiramos” na “atmosfera do Amor”. Ao destruir o sentido material, trazemos à luz as maravilhas da Mente eterna. Além disso, o Princípio imortal está conosco em todo lugar e nos mantém perfeitos em Seu amor.
Viver, mover-se, respirar e desempenhar nossas atividades “na atmosfera do Amor divino” foram as palavras que me vieram ao pensamento ao ouvir, no mês de junho do ano passado, inverno no hemisfério sul, as contínuas notícias sobre doenças da estação: sinusite, rinite, gripe, resfriados, e os sofrimentos que trazem às pessoas, em especial às crianças e aos idosos. Quando compreendemos a atmosfera pura do Amor, podemos respirar totalmente livres do temor de contaminação e mal.
Nosso corpo funciona harmoniosamente sob a ação das leis espirituais do Amor divino, Deus. Quando temos a impressão de que somos um organismo enfermo, a compreensão dessas leis espirituais e a confiança nelas agem em nossa consciência e mostram que nossa identidade é espiritual, não material. Dessa forma, o corpo volta às suas funções normais.
A compreensão espiritual torna possível declarar agora mesmo que todos em nossos lares e com quem entramos em contato nas escolas, nos locais de trabalho e nas ruas vivem, respiram e existem sob a ação protetora do Amor divino. Essa declaração é uma oração científica que se contrapõe às crenças de que a mudança de clima, de contaminação e contágio são ameaças ao nosso bem-estar, e as anula.
A Bíblia e Ciência e Saúde ensinam como elevar o pensamento acima da matéria e seus conceitos limitadores sobre o corpo, e a enxergar uma atmosfera mental benigna e pura, a atmosfera espiritual. Os ensinamentos contidos nesses dois livros têm me orientado desde minha primeira infância e inúmeras são as evidências de proteção e cura das quais sou testemunha.
Segundo me relatou minha mãe, desde bebê eu apresentava uma constituição física muito vulnerável a mudanças climáticas. Meus pulmões eram os mais afetados nessas ocasiões. Dentre todos os hábitos familiares para tratar o problema, tomar canja de galinha era o meu preferido! Meus pais também faziam o uso de remédios e injeções. Mesmo assim, a cada onda de frio eu caía de cama.
Entretanto, quando começaram a estudar a Ciência Cristã, meus pais sentavam ao lado de meu berço e liam para mim. Mais tarde, percebi que liam a Lição Bíblica Semanal da Ciência Cristã, composta de passagens selecionadas da Bíblia e de Ciência e Saúde. Eles também liam o Arauto em alemão (Der Herold der Christlichen Wissenschaft), pois alemão era o único idioma que falávamos em casa.
Quando estava com aproximadamente quatro anos, fiquei doente e perdi a consciência. Nessa ocasião meus pais já haviam percebido que o uso de remédios trazia apenas um alívio temporário. Com uma compreensão espiritual mais elevada, passaram a confiar plenamente no poder de Deus, como é evidente para aqueles que leem a Bíblia. Muitas curas haviam ocorrido por meio de suas orações; minha mãe e meu pai haviam tido curas físicas, e os animais da fazenda melhoraram de saúde e de produtividade. Na região de Panambi, RS, a 450 quilômetros de Porto Alegre, parentes e vizinhos também se curavam de todo tipo de problemas, pela oração. Logo, confiar o bem-estar de seu filho ao poder de Deus não aconteceu de repente, mas foi fruto de um crescimento constante pelo estudo diário e a aplicação do que liam, até alcançar uma firmeza inabalável que os acompanhou durante toda a vida.
Após três dias de oração constante, despertei e pedi comida. A canja já estava pronta. Comi e dormi novamente, um sono natural. Acordei mais tarde e pedi mais sopa. Voltei a adormecer tranquilamente naquela noite, assim como meus pais. Todos dormimos em paz, na certeza de que a cura havia sido completa e permanente. Na manhã seguinte, levantei, tomei meu café da manhã e lá pelas onze horas eu já brincava do lado de fora da humilde casa em que morávamos.
Eu não me lembro de mais nenhuma crise séria de saúde, e os resfriados, gripes e tosses foram diminuindo ano após ano. Lembro-me de ter lido nos boletins escolares o registro de minha presença. No início, faltava até 12 dias em um ano escolar, depois dez dias, oito, cinco, e no último ano do ensino médio não faltei nem um dia. Meu desenvolvimento físico foi perfeito e cresci a uma estatura acima da média, com uma saúde normal e constante.
Em certa época de minha vida, fiz uma retrospectiva e constatei que, dos quinze aos quarenta anos, eu havia perdido apenas meio dia de trabalho por causa de gripe. Os 35 anos seguintes continuaram nessa média. Quando tenho de me expor às intempéries, as funções do meu corpo não são afetadas e me sinto bem tanto no frio como no calor, pois sempre declaro e sou consciente de que vivo e respiro na atmosfera do Amor divino. Sou grato por conhecer e compreender esse fato espiritual.
Toda verdade divina, todo fato espiritual, é a expressão da lei de Deus que opera por meio do Cristo eterno na consciência humana e eleva a compreensão ao nível do divino. Todos têm acesso a essas leis divinas, explanadas na Bíblia e em Ciência e Saúde, e podem aplicá-las às situações que ameacem afetá-los física ou emocionalmente.
Todos estamos igualmente próximos de Deus. O terno cuidado do Amor está sempre presente e envolve a todos. Sem dúvida, cada um de nós pode se conscientizar de que vivemos e respiramos “na atmosfera do Amor divino”.
Orlando Trentini é Praticista e Professor de Ciência Cristã em Chácara, MG.
Por muitos anos eu tenho procurado entender como o fato de Deus ter a si mesmo no centro de tudo se relaciona com o Seu amor por pecadores como nós. A maioria das pessoas não vê de imediato a paixão de Deus pela Sua glória como um ato de amor. Uma razão para isso é que nós absorvemos a definição que o mundo possui de amor. Ela diz: você é amado quando fazem com que você seja destacado. Em outras palavras, amar alguém significa torná-lo ou torná-la importante.
O maior problema com esta definição de amor é que quando você tenta aplicá-la ao amor de Deus por nós, ela distorce a realidade. O amor de Deus por nós NÃO se concentra em fazer-nos importantes, mas em dar-nos a habilidade de torná-lo importante por toda a eternidade. Em outras palavras, o amor de Deus por nós faz com que Ele esteja no centro de tudo. O amor de Deus por nós exalta o Seu valor e a nossa satisfação nele. Se o amor de Deus nos tornasse o centro de tudo e focados em nosso próprio valor, ele nos distrairia do que é mais precioso, que é Ele mesmo. O amor trabalha duro e sofre para nos cativar com o que é infinitamente e eternamente gratificante: Deus. Portanto, Deus trabalha duro e sofre para quebrar nossa sujeição à idolatria do ego e focalizar nossas afeições no tesouro que é Deus.
Eu vi isso novamente na história da doença e morte de Lázaro.
Ora, um homem chamado Lázaro estava doente. Ele era de Betânia, do povoado de Maria e de sua irmã Marta. Maria, cujo irmão Lázaro estava doente, era a mesma que derramara perfume sobre o Senhor e lhe enxugara os pés com os cabelos. Então as irmãs mandaram dizer a Jesus: “Senhor, aquele a quem amas está doente”. Ao ouvir isto, Jesus disse: “Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela”. Jesus amava a Marta, à irmã dela e a Lázaro. No entanto, quando ouviu falar que Lázaro estava doente, ficou onde estava mais dois dias.
Note três coisas surpreendentes:
1) Jesus escolheu deixar Lázaro morrer. Versículo 6: “No entanto, quando ouviu falar que Lázaro estava doente, ficou onde estava mais dois dias.” Não havia pressa. Sua intenção não era poupar a família da dor, mas ressucitar Lázaro dos mortos.
2) Sua motivação era a paixão pela glória de Deus manifestada em Seu glorioso poder. Versículo 4: “Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela”.
3) Todavia, tanto a decisão de deixar Lázaro morrer quanto a motivação de magnificar a Deus eram expressões de amor por Maria, Marta e Lázaro. Versículo 5: “Jesus amava a Marta, à irmã dela e a Lázaro... por isso Ele ficou... onde Ele estava.”
Oh, quantas pessoas hoje - até mesmo cristãos - murmurariam a Jesus por insensivelmente ter deixado Lárazo morrer e fazer com que ele, Marta, Maria e outros passassem pelo sofrimento e pela agonia daqueles dias. E se eles vissem que isto foi motivado pelo desejo de Jesus de magnificar a glória de Deus, muitos diriam que isto foi rude ou insensível. O que isto mostra é como as pessoas colocam a vida livre de sofrimento muito acima da glória de Deus. Para a maioria das pessoas o amor é algo que coloca o valor humano e o bom-estar humano no centro de tudo. Por isso, o comportamento de Jesus é incompreensível para eles.
Mas nós não devemos dizer a Jesus o que é o amor. Não vamos instruí-lo como Ele deveria amar-nos e nos fazer o centro de tudo. Vamos aprender com Jesus o que é o amor e o que realmente é o nosso bem-estar. Amar é fazer o que for necessário para ajudar as pessoas verem e provarem a glória de Deus para todo o sempre. O amor mantém Deus no centro de tudo. É assim porque a alma foi feita por Deus.
Jesus mostra que este caminho é correto pela Sua oração em João 17:24: "Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo". O amor de Jesus o leva a orar por nós e a morrer por nós, NÃO para que o nosso valor seja o centro de tudo, mas para que Sua glória seja o centro de tudo, e para que nós vejamos e provemos isso por toda a eternidade. “E vejam a minha glória” - para isso Ele deixou Lázaro morrer, e para isso ele foi para a cruz.
Aprendendo como se sentir amado com o amor cujo centro é Deus.
No princípio era o Verbo, e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne... "O Verbo se fez carne" — mas ainda é o Verbo. Não mudou sua natureza, sua qualidade ou substância por ter-se feito carne. A Causa tornou-se visível como efeito, mas a essência ou substância continua sendo o Verbo, o Espírito ou Consciência.Por este prisma, podemos compreender que não há um universo espiritual e um universo material, mas que o que se nos apresenta como o nosso mundo é o Verbo feito carne, o Espírito tornado visível, ou a Consciência que se expressa como idéia.Todo o erro que se consumou durante os séculos baseia-se na teoria ou crença em dois mundos, um sendo o reino celeste ou vida espiritual e o outro um mundo material ou existência mortal, separados um do outro.Apesar desta crença em dois mundos, o homem sempre tentou levar a harmonia às mazelas da existência humana, tentando, por meio da oração, fazer contato com o tal 'outro mundo', ou reino espiritual, para que o Espírito, ou Deus, atue na chamada existência material.Comecemos por entender que o nosso mundo não é um mundo errôneo, mas trata-se do reino da realidade do qual mantemos um falso conceito. Para obtermos saúde e harmonia em nossa vida, não temos de nos desfazer nem mesmo mudar este universo material e efêmero, mas bastará corrigirmos a visão limitada que temos da nossa existência.O pesquisador da verdade começa sua busca com um problema — talvez com vários deles. Os primeiros anos de sua busca são empregados na superação da desarmonia e na cura das doenças pela oração a um Poder mais alto ou pela aplicação das leis espirituais ou da verdade às condições humanas. Chega, porém, o dia em que percebe que a aplicação da verdade aos problemas humanos já não funciona mais, ou, pelo menos, não como funcionava no início, e que já não traz a mesma inspiração e satisfação aos seus estudos.Por fim receberá, eventualmente, a grande revelação: os mortais podem assumir a imortalidade apenas na medida em que anulem a mortalidade — eles não podem acrescentar harmonia de espiritualidade imortal às condições humanas. Deus não criou nem rege as coisas humanas. "O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, pois que lhe parecem loucura: nem pode entendê-las, porque só se podem discernir espiritualmente."Estaremos nós buscando as "coisas do Espírito de Deus" com algum propósito humano? Ou de fato estamos nos esforçando para nos livrar do que é mortal, para podermos contemplar a harmonia do reino espiritual?Enquanto lutamos e combatemos os pretensos poderes deste mundo, combatendo a doença, o pecado e a carência, o sentido espiritual, por sua vez, revela-nos que "O meu reino não é deste mundo". Somente quando soubermos transcender o desejo de melhorar nossa vida humana é que nos colocaremos na posição de compreender o sentido desta mensagem vital; quando deixamos os limites do aperfeiçoamento humano, temos o primeiro vislumbre do significado das palavras: "eu venci o mundo".Não teremos vencido o mundo enquanto mais buscarmos seus prazeres e menos desejarmos suas dores. E se não superarmos a postura de luta contra as coisas do mundo, não entraremos no reino das coisas do céu."Porque todo o que é nascido de Deus, vence o mundo." A consciência espiritual vence o mundo — tanto os prazeres como as dores do mundo. Não podemos conseguir a evangelização da humanidade pelo poder mental ou pela força física, mas apenas pela visão espiritual da vida, que pode ser cultivada por todos que devotam seus pensamentos às coisas do Espírito."Porque tudo o que está no mundo, os prazeres da carne, os prazeres dos olhos, o orgulho, não vem do Pai — vem do mundo." Observemos, por um pouco de tempo, nossos pensamentos, nossas ambições e interesses e vejamos se a nossa mente está voltada para a nossa saúde, para os prazeres dos sentidos ou para os ganhos mundanos. Se constatarmos tais pensamentos mundanos, aprendamos a afastá-los, pois já não estamos no caminho do aperfeiçoamento das coisas humanas, mas a caminho do reino espiritual."Não tenhas amor ao mundo nem ao que é do mundo. Pois no homem que ama o mundo não está o amor do Pai." Significaria isto que devemos nos tornar ascetas? Deveríamos desejar uma vida diferente do que é normal, desprovida de alegria e de sucesso? Não nos enganemos. Somente aqueles que aprenderam a manter sua atenção nas coisas do Espírito saborearam a completa alegria do lar, do companheirismo e dos empreendimentos de sucesso. Somente aqueles que em certo grau se centraram em Deus encontraram segurança, proteção e paz em um mundo combalido pela guerra. O pensamento espiritual não nos afasta do nosso meio normal, não nos priva do amor e do companheirismo tão necessários para uma vida plena. Ele apenas coloca tudo isto em um nível mais alto, onde não mais dependemos da sorte, das mudanças ou do azar, onde se manifesta o valor do que chamamos de cenário da vida."Não vos esforceis pelo alimento que perece, mas pelo alimento que dura pela vida eterna... Pois que o Reino de Deus não consiste em comer e beber, mas na justiça, na paz e no contentamento no Espírito Santo."Quando nos defrontarmos com um problema humano, em vez de nos esforçarmos para melhorar as humanas condições, afastemos essa imagem e concentremo-nos na presença do Espírito divino em nós. Esse Espírito dissolve as aparências humanas e revela a harmonia espiritual, ainda que essa harmonia se nos apresente como uma melhora de saúde ou de riqueza. Quando Jesus alimentou as multidões, o que apareceu como pão e peixe foi a sua consciência espiritual de abundância. Quando curou os doentes, foi o seu sentimento da Presença Divina que se manifestou como saúde, força e harmonia.Tudo isso pode ser resumido nas palavras de Paulo: "Voltai vosso olhar para as coisas do alto, não para as coisas da terra".Vivemos em um universo espiritual, mas a finitude de nossos sentidos desenhou para nós uma imagem de limitações. Enquanto tivermos nossos pensamentos voltados para o cenário à nossa frente — "este mundo" —, estaremos nos esforçando para melhorá-lo ou mudá-lo. Mas, assim que elevarmos nosso olhar e não mais nos preocuparmos com o que comer, beber ou vestir, começaremos a perceber a realidade espiritual; e embora nos pareça apenas uma crença mais perfeita, é de fato a manifestação mais intensa da realidade. Esta manifestação traz consigo uma alegria inimaginável, aqui e agora, uma satisfação com a qual nem sonhamos e o amor de todos com quem fazemos contato, mesmo daqueles que desconhecem a fonte da nova vida que descobrimos."Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não como o mundo a dá." "Não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus... Coisas que também falamos, não com as palavras ditadas pela sabedoria dos homens, mas como as ensina o Espírito Santo... O homem natural não compreende as coisas do Espírito, que lhe parecem loucura; nem pode compreendê-las porque elas se discernem espiritualmente."Quantas vezes nos enganamos neste ponto! Com quanta freqüência tentamos compreender a verdade espiritual com nosso intelecto humano! E isso leva à indigestão mental, pois que tentamos digerir alimento espiritual com nossa mente erudita. Isso não funciona. A verdade não é um processo de raciocínio, e por isso só pode ser entendida espiritualmente. A verdade não está normalmente na esfera do nosso entendimento, e, quando parece estar, deve ser investigada mais profundamente para verificar sua autenticidade. Temos de desconfiar de uma verdade que nos pareça fácil de compreender.Jesus caminhou sobre as águas, alimentou multidões com poucos pães e peixes, curou os doentes e ressuscitou os mortos — parece aceitável para o seu intelecto? Se o princípio subjacente a essas experiências pudesse ser entendido com a inteligência, todas as igrejas o ensinariam como um meio viável e recomendariam seu uso. Este princípio, porém, só é apanhado pelo sentido espiritual, e esta 'consciência espiritual elevada' pode fazer as coisas que o Cristo fez. Aquilo que foi possível à Cristo-consciência no tempo de Jesus, é possível à mesma Consciência agora.Cultivando este sentido espiritual, nosso sucesso será tanto maior na proporção que abandonarmos o esforço mental e nos tornarmos receptivos às coisas que o Espírito de Deus nos ensina. Em vez de tentarmos fazer que o Espírito atue sobre nossos corpos e nossas coisas materiais, aprendamos a desviar nosso olhar desses quadros terrenos, dirigindo-o para as coisas do alto. Quando "descermos novamente à terra", perceberemos que as desarmonias e as limitações dos sentidos desapareceram, e apareceu mais claramente a Realidade.O Reino de Deus não consiste em mais e melhor matéria, nem encerra um mais rico vocabulário sobre a verdade. Todavia, os frutos da compreensão espiritual são uma maior harmonia, paz, prosperidade, contentamento e amizades e relacionamentos mais próximos do ideal.Assim compreendemos que "agradecemos por isso continuamente a Deus pois vós, que recebestes a palavra de Deus ouvida de nós, não a recebestes como palavra humana, mas como ela é de fato — a palavra de Deus, que atua sobre vós para que nela creiais".Para recebermos a Palavra de Deus, ou sentido espiritual, precisamos mais sentir que raciocinar.E é a isso que a Bíblia se refere com a expressão receber a palavra "no coração". Notemos que o desenvolvimento da consciência espiritual redunda em maior capacidade de intuir a harmonia do Ser. Compreendemos que nem a visão, nem o ouvido, o tato, o olfato ou o paladar podem nos revelar a verdade espiritual ou sua harmonia; por isso tal revelação só pode nos acontecer através de outra faculdade, a intuição, que atua pelo sentimento.Até o momento, ao orar ou meditar, vinha-nos de imediato uma enxurrada de palavras e pensamentos. Talvez estivéssemos começando a reafirmar a verdade e a rejeitar o erro. É, porém, evidente que isso ocorria completamente no domínio da mente humana.Ao cultivarmos o sentido espiritual, tornamo-nos receptivos aos pensamentos que emanam das profundezas do nosso ser. Mais do que falar a Palavra, tornamo-nos seus ouvintes. Nesse estado, a sintonia com o Espírito é tal que sentimos a harmonia do Ser; sentimos a presença real de Deus. Transcendidos os cinco sentidos materiais, nossa faculdade intuitiva fica desperta, receptiva e sensível às coisas do Espírito; e após este renascimento espiritual, começamos uma nova existência.Estávamos, até aqui, ocupados com a palavra da Verdade; e daqui em diante nos ocuparemos apenas com o Espírito da Verdade. Já não nos interessa saber o que seja a Verdade, mas sim em sentir a Verdade. E isso conseguimos na medida em que dedicarmos menos empenho na letra do que à receptividade e ao sentir. A palavra "sentir", aliás, se refere também à revelação, à consciência e ao sentido da verdade. Agora já não estamos falando da verdade, e sim recebendo a verdade, e aquilo que recebemos no silêncio, podemos falar abertamente e com autoridade.A cura espiritual é o resultado natural de uma consciência divinamente iluminada. Mas esta iluminação só nos é dada na medida em que estejamos receptivos e sensíveis a ela.É um mal entendido associarmos a idéia de imortalidade à pessoa humana ou ao sentido individualista de eu. A morte não produz a imortalidade nem põe fim ao sentido do eu, e tampouco a continuação do humano viver leva à obtenção da imortalidade.Obtemos a imortalidade na medida em que superamos o sentido pessoal do eu, nesta vida ou depois dela. E, ao nos despojarmos do nosso ego e alcançarmos a consciência do nosso Eu verdadeiro — nossa Realidade, ou Consciência divina —, chegamos à imortalidade. E isso pode acontecer aqui e agora.Ao contrário, o desejo de perpetuarmos nosso falso conceito de corpo e seu bem-estar nos amarra à morte, nos enleia na mortalidade.Mais que a idéia de "acréscimo" vindo de 'fora', o primeiro passo para obtermos a imortalidade é viver a partir do CENTRO do nosso ser, como uma IDÉIA de DESDOBRAMENTO DO NOSSO ÍNTIMO.É mais no sentido de DAR do que de receber, de SER mais que obter. Nessa consciência não há julgamento ou crítica, ódio ou medo, e sim um sentimento contínuo de amor e de perdão.Não é coisa fácil descrever a alegria e a paz da imortalidade, pois para aqueles que não querem abandonar seus atuais conceitos de ser, ela pode transparecer um processo de extinção. Mas não é bem isso: ela é a eterna preservação de tudo o que é real, belo, nobre, harmonioso, gracioso, altruísta e pacífico. É a realidade, trazida à luz, em substituição à ilusão dos sentidos. É o despertar da consciência da infinitude do ser individual, em substituição ao sentido finito de existência. O egoísmo e o amor-próprio se vão de nós quando temos a percepção da divindade do nosso ser.Esta percepção nos ensina a ser pacientes e indulgentes com aqueles que ainda lutam com a consciência material, mortal. E isto é estar no mundo, mas sem pertencer ao mundo.
Sempre surge, na vida de um homem, uma ou outra ocasião em que ele percebe subitamente que o seu corpo material não é o seu “eu verdadeiro”, e que existe algo muito superior à matéria, que vivifica o corpo carnal.Esse “despertar” ocorre, por exemplo, quando o homem é salvo por uma força misteriosa, no exato momento em que se vê perdido diante de um grande e iminente perigo; ou quando, de repente, dá-se conta da Vida que palpita dentro dele, no momento em que estava prestes a se entregar ao desespero por estar gravemente enfermo e ter sido desenganado pelo médico e pelos familiares. Em ocasiões como estas, o homem compreende que ele está vivo não pelo seu próprio poder, mas porque é vivificado por uma força superior, muito mais poderosa que a força humana.
Certas pessoas, embora tenham passado por semelhante experiência, não dão muita importância a ela e acabam esquecendo-a por completo. Mas existem outras que, impressionadas fortemente por tal experiência, mudam completamente o modo de encarar o “homem”.
Deixar de ver a si próprio como um pequeno “ser individual” e conscientizar-se do seu “Eu Universal” – eis o renascimento do homem. O verdadeiro “renascer” não consiste apenas em renovação do calendário civil em cada Ano Novo.
O “renascimento” do homem consiste na descoberta do “Eu grandioso” oculto no seu interior. Dito em termos budistas, é o Satori (despertar espiritual ou compreensão da Verdade). Mas muitas são as pessoas que não “vivificam” na sua vida cotidiana os resultados do seu “despertar espiritual”. Eis a razão por que, para elas, esse “despertar” é apenas um lampejo da alma que desaparece logo em seguida. O grande mestre budista Hakuin disse que ele teve dezoito vezes o “grande despertar espiritual”. Acredito que com isso ele quis expressar que não ficou estagnado quando atingiu um determinado nível espiritual; foi progredindo dia a dia, elevando o nível e ampliando o ângulo de seu “despertar”. Em outras palavras, foi um “despertar dinâmico”, vivenciado no dia-a-dia, e não um despertar estático, alheio à vida cotidiana.Toda força que não é utilizada, adormece. A nossa “grandiosa força interior”, da qual nos conscientizamos através do “despertar espiritual”, também não constitui exceção: se não a aplicarmos em nossa vida prática, ela acabará adormecendo novamente. Todos os que conseguiram vencer na vida são aqueles que, após conscientizarem-se da sua “grandiosa força interior” através do despertar espiritual, souberam utilizar-se dela livremente sem a deixar adormecer de novo.
by Masaharu Taniguchi