segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ego, o falso centro

O primeiro ponto a ser compreendido é o ego.
Uma criança nasce.
Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu próprio eu. E quando uma criança nasce, a primeira coisa da qual ela se torna consciente não é ela mesma; a primeira coisa da qual ela se torna consciente é o outro. Isso é natural, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira o exterior. Todos esses sentidos abrem-se para fora.
O nascimento é isso.
Nascimento significa vir a este mundo, o mundo exterior. Assim, quando uma criança nasce, ela nasce neste mundo. Ela abre seus olhos, vê os outros.
O "outro" significa o tu.
Ela primeiro se torna consciente da mãe. Então, pouco a pouco, ela se torna consciente de seu próprio corpo. Este também é o outro, também pertence ao mundo. Ela está com fome e passa a sentir o corpo; quando sua necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo.
É desta maneira que a criança cresce.
Primeiro ela se torna consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a pouco, contrastando com você, tu, ela se torna consciente de si mesma.
Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está consciente de quem ela é. Ela está simplesmente consciente da mãe e do que esta pensa a seu respeito. Se a mãe sorri, se ela aprecia a criança, se diz: "Você é bonita", se ela a abraça e a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma.
Agora um ego está nascendo.
Através da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é boa, ela sente que tem valor, ela sente que tem importância. Um centro está nascendo.
Mas esse centro é um centro refletido. Ela não é o ser verdadeiro. A criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensam a seu respeito.
E esse é o ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se ninguém pensa que ela tem alguma utilidade, se ninguém a aprecia, se ninguém lhe sorri, então, também, um ego nasce - um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida; sentindo-se inferior, sem valor. Isso também é o ego. Isso também é um reflexo.
Primeiro a mãe - e mãe, no início, significa o mundo. Depois os outros se juntarão à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto mais o mundo cresce, mais complexo o ego se torna, porque muitas opiniões dos outros são refletidas.
O ego é um fenômeno acumulativo, um subproduto do viver com os outros. Se uma criança vive totalmente sozinha, ela nunca chegará a desenvolver um ego. Mas isso não vai ajudar. Ela permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá a conhecer o seu verdadeiro eu, não.
O verdadeiro pode ser conhecido somente através do falso, portanto, o ego é uma necessidade. Temos que passar por ele. Ela é uma disciplina. O verdadeiro pode ser conhecido somente através da ilusão. Você não pode conhecer a verdade diretamente. Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é verdadeiro. Primeiro você tem que encontrar o falso. Através desse encontro, você se torna capaz de conhecer a verdade. Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você.
O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um subproduto social. A sociedade significa tudo o que está ao seu redor, não você, mas tudo aquilo que o rodeia.
Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá para a escola e o professor refletirá quem você é. Você fará amizade com outras crianças e elas refletirão quem você é. Pouco a pouco, todos estão adicionando algo ao seu ego, e todos estão tentando modificá-lo, de tal forma que você não se torne um problema para a sociedade.
Elas não estão interessados em você.
Eles estão interessados na sociedade.
A sociedade está interessada nela mesma, e é assim que deveria ser. Elas não estão interessados no fato de que você deveria se tornar um conhecedor de si mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma peça eficiente no mecanismo da sociedade. Você deveria ajustar-se ao padrão.
Assim, estão tentando dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade.
Ensinam-lhe a moralidade. Moralidade significa dar-lhe um ego que se ajustará à sociedade. Se você for imoral, você será sempre um desajustado em um lugar ou outro.
É por isso que colocamos os criminosos nas prisões - não que eles tenham feito alguma coisa errada, não que ao colocá-los nas prisões iremos melhorá-los, não. Eles simplesmente não se ajustam. Eles criam problemas. Eles têm certos tipos de egos que a sociedade não aprova. Se a sociedade aprova, tudo está bem.
Um homem mata alguém - ele é um assassino.
E o mesmo homem , durante a guerra, mata milhares - e torna-se um grande herói. A sociedade não está preocupada com o homicídio, mas o homicídio deveria ser praticado para a sociedade - então tudo está bem. A sociedade não se preocupa com moralidade.
Moralidade significa simplesmente que você deve se ajustar à sociedade.
Se a sociedade estiver em guerra, a moralidade muda.
Se a sociedade estiver em paz, existe uma moralidade diferente.
A moralidade é uma política social. É diplomacia. E toda criança deve ser educada de tal forma que ela se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade está interessada em membros eficientes .
A sociedade não está interessada no fato de que você deveria chegar ao auto-conhecimento.
A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e manipulado. O eu nunca pode ser controlado e manipulado. Nunca se ouviu dizer que a sociedade estivesse controlando o eu - não é possível.
E a criança necessita de um centro; a criança está absolutamente inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que este é o seu centro, o ego dado pela sociedade.
Uma criança volta para casa - se ela foi o primeiro aluno de sua classe, a família inteira fica feliz. Você a abraça e a beija, e você coloca a criança no colo e começa a dançar e diz: "Que linda criança! Você é um motivo de orgulho para nós." Você está dando um ego a ela. Um ego sutil. E se a criança chega em casa abatida, fracassada, um fiasco - ela não pode passar, ou ela tirou o último lugar - então ninguém a aprecia e a criança sente-se rejeitada. Ela tentará com mais afinco na próxima vez, porque o centro se sente abalado.
O ego está sempre abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o aprecie. É por isso que você está continuamente pedindo atenção.
Ouvi contar:
Mulla Nasrudin e sua esposa estavam saindo de uma festa, e Mulla disse: "Querida, alguma vez alguém já lhe disse que você é fascinante, linda, maravilhosa?"
Sua esposa sentiu-se muito, muito bem, ficou muito feliz. Ela disse: "Eu me pergunto por que ninguém jamais me disse isso."
Nasrudin disse: "Mas então de onde você tirou essa idéia?"
Você obtém dos outros a idéia de quem você é.
Não é uma experiência direta.
É dos outros que você obtém a idéia de quem você é. Eles modelam o seu centro. Esse centro é falso, porque você contém o seu centro verdadeiro.
Este, não é da conta de ninguém.
Ninguém o modela, você vem com ele. Você nasce com ele.
Assim, você tem dois centros. Um centro com o qual você vem, que lhe é dado pela própria existência. Este é o eu. E o outro centro, que lhe é dado pela sociedade - o ego. Ele é algo falso - e é um grande truque. Através do ego a sociedade está controlando você. Você tem que se comportar de uma certa maneira, porque somente então a sociedade o aprecia.
Você tem que caminhar de uma certa maneira: você tem que rir de uma certa maneira; você tem que seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente então a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você já não sabe onde está, quem você é.
Os outros deram-lhe a idéia.
Essa idéia é o ego.
Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. E a menos que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o eu. Por estar viciado no centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o eu.
E lembre-se, vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará despedaçado, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo, quando todos os limites se dissolverão.
Você estará simplesmente confuso, um caos.
Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro.
E se você for ousado, o período será curto.
Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas.
Ouvi dizer:
Uma criancinha estava visitando seus avós. Ela tinha apenas quatro anos de idade. De noite, quando a avó a estava fazendo dormir, ela de repente começou a chorar e a gritar: "Eu quero ir para casa. Estou com medo do escuro."
Mas a avó disse: "Eu sei muito bem que em sua casa você também dorme no escuro; eu nunca vi a luz acesa: Então por que você está com medo aqui?"
O menino disse: "Sim, é verdade - mas aquela é a minha escuridão. Esta escuridão é completamente desconhecida."
Até mesmo com a escuridão você sente: "Esta é minha."
Do lado de fora - uma escuridão desconhecida.
Com o ego você sente: "Esta é a minha escuridão."
Pode ser problemática, pode criar muitos tormentos, mas ainda assim, é minha. Alguma coisa em que se segurar, alguma coisa em que se agarrar, alguma coisa sob os pés; você não está em um vácuo, não está em um vazio. Você pode ser infeliz, mas pelo menos você é.
Até mesmo o ser infeliz lhe dá ma sensação de "eu sou". Afastando-se disso, o medo toma conta; você começa a sentir medo da escuridão desconhecida e do caos - porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte do seu ser...
É o mesmo que penetrar em uma floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca - a floresta, a selva. Aqui tudo está bem; você planejou tudo. Foi assim que aconteceu.
A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente e cercou-a. Tudo está bem ali.
Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que você possa se sentir em casa ali.
E então você passa a sentir medo.
Além da cerca existe perigo.
Além da cerca você é, tal como dentro da cerca você é - e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto .
Precisamos ser ousados, corajosos.
Precisamos dar um passo para o desconhecido.
Por um certo tempo, todos os limites ficarão perdidos.
Por um certo tempo, você vai sentir-se atordoado.
Por um certo tempo, você vai sentir-se muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.
Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas.
Esta é a sua alma, o eu.
Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade. Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos; nasce uma nova ordem.
Mas esta não é a ordem da sociedade - é a própria ordem da existência.
É o que Buda chama de Dhamma, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiúra delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas.
A diferença é a mesma que existe entre uma flor verdadeira e uma flor de plástico ou de papel. O ego é uma flor de plástico, morta. Não é uma flor, apenas parece com uma flor. Até mesmo linguisticamente, chamá-la de flor está errado, porque uma flor é algo que floresce. E essa coisa de plástico é apenas uma coisa e não um florescer. Ela está morta. Não há vida nela.
Você tem um centro que floresce dentro de você. Por isso os hindus o chamam de lótus - é um florescer. Chamam-no de o lótus das mil pétalas. Mil significa infinitas pétalas. O centro floresce continuamente, nunca para, nunca morre.
Mas você está satisfeito com um ego de plástico.
Existem algumas razões para que você esteja satisfeito. Com uma coisa morta, existem muitas vantagens. Uma é que a coisa morta nunca morre. Não pode - nunca esteve viva. Assim você pode ter flores de plástico, e de certa forma elas são boas. Elas são permanentes; não são eternas mas são permanentes.
A flor verdadeira, a flor que está lá fora no jardim, é eterna, mas não é permanente. E o eterno tem uma maneira própria de ser eterno. A maneira do eterno é nascer muitas e muitas vezes... e morrer. Através da morte, o eterno se renova, rejuvenesce.
Para nós, parece que a flor morreu - ela nunca morre.
Ela simplesmente troca de corpo, assim está sempre fresca.
Ela deixa o velho corpo e entra em um novo corpo. Ela floresce em algum outro lugar, nunca deixa de estar florescendo.
Mas não podemos ver a continuidade porque a continuidade é invisível. Vemos somente uma flor, outra flor; nunca vemos a continuidade.
Trata-se da mesma flor que floresceu ontem.
Trata-se do mesmo sol, mas em um traje diferente.
O ego tem uma certa qualidade - ele está morto. É de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não o precisa procurar; a busca não é necessária para ele. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente uma parte da multidão. Você é apenas uma turba.
Quando você não tem um centro autêntico, como você pode ser um indivíduo?
O ego não é individual. O ego é um fenômeno social - ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o eu.
E por isso você é tão infeliz.
Com uma vida de plástico, como você pode ser feliz?
Com uma vida falsa, como você pode ser extático e bem-aventurado? E esse ego cria muitos tormentos, milhões deles.
Você não pode ver, porque se trata da sua escuridão. Você está em harmonia com ela.
Você nunca reparou que todos os tipos de tormentos acontecem através do ego? Ele não o pode tornar abençoado; ele pode somente torná-lo infeliz.
O ego é o inferno.
Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego continua encontrando motivos para sofrer.
Uma vez eu estava hospedado na casa de Mulla Nasrudin. A esposa estava dizendo coisas muito desagradáveis a respeito de Mulla Nasrudin, com muita raiva, aspereza, agressividade, muito violenta, a ponto de explodir. E Mulla Nasrudin estava apenas sentado em silêncio, ouvindo. Então, de repente, ela se voltou para ele e disse: "Então, mais uma vez você está discutindo comigo!"
Mulla disse: "Mas eu não disse uma única palavra!"
A esposa replicou: "Sei disso - mas você está ouvindo muito agressivamente."
Você é um egoísta, como todos são. Alguns são muito grosseiros, evidentes, e estes não são tão difíceis. Outros são muito sutis, profundos, e estes são os verdadeiros problemas.
O ego entra em conflito com outros continuamente porque cada ego está extremamente inseguro de si mesmo. Tem que estar - ele é uma coisa falsa. Quando você nada tem nas mãos, mas acredita ter algo, então haverá um problema.
Se alguém disser: "Não há nada", imediatamente começa a briga porque você também sente que não há nada. O outro o torna consciente desse fato.
O ego é falso, ele não é nada.
E você também sabe isso.
Como você pode deixar de saber isso? É impossível! Um ser consciente - como pode ele deixar de saber que o ego é simplesmente falso? E então os outros dizem que não existe nada - e sempre que os outros dizem que não existe nada, eles batem numa ferida, eles dizem uma verdade - e nada fere tanto quanto a verdade.
Você tem que se defender, porque se você não se defende, se não se torna defensivo, onde estará você?
Você estará perdido.
A identidade estará rompida.
Assim, você tem que se defender e lutar - este é o conflito. Um homem que alcança o eu nunca se encontra em conflito algum. Outros podem vir e entrar em choque com ele, mas ele nunca está em conflito com ninguém.
Aconteceu de um mestre Zen estar passando por uma rua. Um homem veio correndo e o golpeou duramente.
O mestre caiu. Logo se levantou e voltou a caminhar na mesma direção na qual estava indo antes, sem nem ao menos olhar para trás.
Um discípulo estava com o mestre. Ele ficou simplesmente chocado. Ele disse: "Quem é esse homem? O que significa isso? Se a gente vive desta maneira, qualquer um pode vir e nos matar. E você nem ao menos olhou para aquela pessoa, quem é ela, e por que ela fez isso?"
O mestre disse: "Isso é problema dela, não meu."
Você pode entrar em choque com um iluminado, mas esse é seu problema, não dele. E se você fica ferido nesse choque, isso também é problema seu. Ele não o pode ferir. É como bater contra uma parede - você ficará machucado, mas a parede não o machucou.
O ego sempre está procurando por algum problema. Por quê? Porque se ninguém lhe dá atenção o ego sente fome.
Ele vive de atenção.
Assim, mesmo se alguém estiver brigando e com raiva de você, mesmo isso é bom pois pelo menos você está recebendo atenção. Se alguém o ama, isso está bem. Se alguém não o está amando, então até mesmo a raiva servirá. Pelo menos a atenção chega até você. Mas se ninguém estiver lhe dando qualquer atenção, se ninguém pensa que você é alguém importante, digno de nota, então como você vai alimentar o seu ego?
A atenção dos outros é necessária.
Você atrai a atenção dos outros de milhões de maneiras; veste-se de um certo jeito, tenta parecer bonito, comporta-se bem, torna-se muito educado, transforma-se. Quando você sente o tipo de situação que está ocorrendo, você imediatamente se transforma para que as pessoa lhe dêem atenção.
Esta é uma forma profunda de mendicância.
Um verdadeiro mendigo é aquele que pede e exige atenção. Um verdadeiro imperador é aquele que vive em sua interioridade; ele tem um centro próprio, não depende de mais ninguém.
Buda sentado sob sua árvore Bodhi... se o mundo inteiro de repente vier a desaparecer, isso fará alguma diferença para Buda? - nenhuma. Não fará diferença alguma, absolutamente. Se o mundo inteiro desaparecer, não fará diferença alguma porque ele atingiu o centro.
Mas você, se sua esposa foge, se ela pede divórcio, se ela o deixa por outro, você fica totalmente em pedaços - porque ela lhe dava atenção, carinho, amor, estava sempre à sua volta, ajudando-o a sentir-se alguém. Todo o seu império está perdido, você está simplesmente despedaçado. Você começa a pensar em suicídio. Por quê? Por que, se a esposa o deixa, você deveria cometer suicídio? Por que, se o marido a deixa, você deveria cometer suicídio? Porque você não tem um centro próprio. A esposa estava lhe dando o centro; o marido estava lhe dando o centro.
É assim que as pessoas existem. É assim que as pessoas se tornam dependentes umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ela deixa de ser uma escrava. Tente entender isso.
E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que é o falso centro que entrou em choque com alguém.
Você esperava algo e isso não aconteceu.
Você esperava algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.
As causas não estão fora de você.
A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta:
Quem está me tornando infeliz?
Quem está causando minha raiva?
Quem está causando minha angústia?
E se olhar para fora, você não perceberá.
Simplesmente feche os olhos e olhe para dentro.
A origem de toda a infelicidade, a raiva, a angústia, está oculta dentro de você; é o seu ego.
E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.
E lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego.
Você não o pode abandonar.
Se você o tentar abandonar, estará apenas conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: "Tornei-me humilde".
Não tente ser humilde. Isso é o ego novamente; às escondidas, mas não morto.
Não tente ser humilde.
Ninguém pode tentar ser humilde e ninguém pode criar a humildade através do próprio esforço - não. Quando o ego já não existe, uma humildade vem até você. Ela não é uma criação. É uma sombra do seu verdadeiro centro.
E um homem realmente humilde não é nem humilde nem egoísta.
Ele é simplesmente simples.
Ele nem ao menos se dá conta de que é humilde.
Se você se dá conta de que é humilde, o ego continua existindo.
Olhe para as pessoas humildes... Existem milhões que acreditam ser muito humildes. Eles se curvam com facilidade, mas observe-as - elas são os egoístas mais sutis. Agora a humildade é a sua fonte de alimento. Elas dizem: "Eu sou humilde", e olham para você esperando que você as valorize.
Gostariam que você dissesse: "Você é realmente humilde, na verdade, você é o homem mais humilde do mundo; ninguém é tão humilde quanto você." E então observe o sorriso que surge em seus rostos.
O que é o ego? O ego é uma hierarquia que diz: "Ninguém se compara a mim." Ele pode se alimentar da humildade - "Ninguém se compara a mim, sou o homem mais humilde.
Aconteceu certa vez:
Um faquir, um mendigo, estava orando em uma mesquita, de madrugada, enquanto ainda estava escuro. Era um dia religioso qualquer para os muçulmanos, e ele estava orando e dizendo: "Eu não sou ninguém, eu sou o mais pobre dos pobres, o maior pecador entre os pecadores."
De repente havia mais uma pessoa orando. Era o imperador daquele país, e ele não havia percebido que havia mais alguém ali orando - estava escuro e o imperador também estava dizendo: "Eu não sou ninguém. Eu não sou nada. Eu sou apenas um vazio, um mendigo à sua porta." Quando ouviu que mais alguém estava dizendo a mesma coisa, o imperador disse: "Pare! Quem está tentando me superar? Quem é você? Como ousa dizer, diante do imperador, que você não é ninguém, quando ele está dizendo que não é ninguém?"
É assim que o ego funciona. Ele é tão sutil! Suas maneiras são tão sutis e astutas; você deve estar muito, muito alerta, somente então você o perceberá. Não tente ser humilde. Apenas tente ver que todo o tormento, toda a angústia vem através dele.
Apenas observe! Não há necessidade de o abandonar.
Você não o pode abandonar. Quem o abandonará? Então o abandonador se tornará o ego. Ele sempre volta.
Faça o que fizer, fique de fora, olhe, e observe.
Qualquer coisa que você faça - modéstia, humildade, simplicidade - nada vai ajudar. Somente uma coisa é possível, e esta é simplesmente observar e ver que o ego é a origem de toda a infelicidade. Não diga isso. Não repita isso. Observe. Porque se eu disser que ele é a origem de toda a infelicidade e você repetir isso, então será inútil. Você tem que chegar a esse entendimento. Sempre que você estiver infeliz, apenas feche os olhos e não tente encontrar alguma causa externa. Tente perceber de onde está vindo essa miséria.
Ela está vindo do seu próprio ego.
Se você continuamente percebe e compreende, e a compreensão de que o ego é a causa chega a se tornar profundamente enraizada, um dia você repentinamente verá que ele desapareceu. Ninguém o abandona - ninguém o pode abandonar. Você simplesmente vê; ele simplesmente desapareceu, porque a própria compreensão de que o ego é a causa de toda a infelicidade, se torna o abandonar. A própria compreensão significa o desaparecimento do ego.
E você é tão brilhante em perceber o ego nos outros. Qualquer um pode ver o ego do outro. Mas quando se trata do seu, surge o problema - porque você não conhece o território, você nunca viajou por ele.
Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece.
Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que este é o inferno, ele desaparece.
E então você nunca diz: "Eu abandonei o ego." Então você simplesmente ri de toda esta história, dessa piada, pois você era o criador de toda a infelicidade.
Eu estava olhando alguns desenhos de Charlie Brown. Em um cartum ele está brincando com blocos, construindo uma casa com blocos de brinquedo. Ele está sentado no meio dos blocos, levantando as paredes. Chega um momento em que ele está cercado: ele levantou paredes em toda a volta. E ele começa a gritar: "Socorro, socorro!"
Ela fez a coisa toda! Agora ele está cercado, preso. Isso é infantil, mas é justamente o que você fez. Você fez uma casa em toda a sua volta, e agora você está gritando: "Socorro, socorro!" E o tormento se torna um milhão de vezes maior - porque há os que socorrem, estando eles próprios no mesmo barco.
Aconteceu de uma mulher muito atraente ir ao psiquiatra pela primeira vez. O psiquiatra disse: "Aproxime-se por favor."
Quando ela chegou mais perto, ele simplesmente deu um salto, abraçou e beijou a mulher.
Ela ficou chocada.
Então ele disse: "Agora sente-se. Isso resolve o meu problema, agora, qual é o seu?"
O problema se multiplica, porque há pessoas que querem ajudar, estando no mesmo barco. E elas gostariam de ajudar, porque quando você ajuda alguém, o ego se sente muito bem, porque você é um grande salvador, um grande guru, um mestre; você está ajudando tantas pessoas! Quanto maior a multidão de seus seguidores, melhor você se sente.
Mas você está no mesmo barco - você não pode ajudar.
Pelo contrário, você prejudicará.
Pessoas que ainda têm os seus próprios problemas não podem ser de muita ajuda. Somente alguém que não tenha problemas próprios o pode ajudar. Somente então existe a clareza para ver, para ver através de você. Uma mente que não tem problemas próprios pode vê-lo, você se torna-se transparente.
Uma mente que não tem problemas próprios pode ver através de si mesma; por isso ela torna-se capaz de ver através dos outros.
No ocidente existem muitas escolas de psicanálise, muitas escolas, e nenhuma ajuda está chegando às pessoas, mas em vez disso, causam danos. Porque as pessoas que estão ajudando as outras, ou tentando ajudar, ou pretendendo ser de ajuda, encontram-se no mesmo barco.
É difícil ver o próprio ego.
É muito fácil ver o ego dos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.
Tente ver o seu próprio ego.
Simplesmente observe.
Não tenha pressa de o abandonar, simplesmente observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Não existe outra maneira. Você não o pode abandonar prematuramente.
Ele cai exatamente como uma folha seca.
A árvore não está fazendo nada - apenas uma brisa, uma situação, e a folha seca simplesmente cai. A árvore nem mesmo percebe que a folha seca caiu. Ela não faz qualquer barulho, ela não faz qualquer anúncio - nada.
A folha seca simplesmente cai e se despedaça no chão, apenas isso.
Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo.
Ela pousa no chão e morre por si mesma. Você não fez nada, portanto você não pode afirmar que você a deixou cair. Você vê que ela simplesmente desapareceu, e então o verdadeiro centro surge.
E este centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a verdade, ou como o quiser chamar.
Ele é inominável, assim todos os nomes são bons.
Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir.


Osho - Livro: Além das Fronteiras da Mente

Total Relaxamento é Meditação

Total relaxamento é o definitivo. Este é o momento quando uma pessoa se torna um buda. Este é o momento da realização, da iluminação, da consciência de Cristo. Você não pode ser totalmente relaxado exatamente agora. No núcleo mais profundo, uma tensão irá persistir.
Mas comece a relaxar. Comece da circunferência -- aí é que nós estamos, e somente podemos começar de onde estamos. Relaxe a circunferência do seu ser -- relaxe seu corpo, relaxe seu comportamento, relaxe seus atos. Caminhe de uma maneira relaxada, coma de uma maneira relaxada, fale, escute de uma maneira relaxada. Diminua a velocidade de todos os processos.
Não fique com pressa e não se precipite. Mova-se como se toda a eternidade estivesse disponível para você -- de fato, está disponível para você. Nós estamos aqui desde o princípio e estaremos aqui até o próprio fim, se houver um princípio e houver um fim. De fato, não há princípio e não há fim. Nós sempre estivemos aqui e sempre estaremos aqui. As formas continuam mudando, mas não a alma.
A tensão significa pressa, medo, dúvida. A tensão significa um constante esforço para proteger, para estar seguro, para estar a salvo. A tensão significa se preparar para o amanhã agora, ou para o depois da vida -- com medo de que amanhã, você não seja capaz de encarar a realidade, então, esteja preparado. A tensão significa o passado que você ainda não viveu realmente, mas somente passou ao largo, de alguma forma; ele perdura, é uma ressaca, ele o rodeia.[...]
Você terá que relaxar a partir da circunferência. O primeiro passo no relaxar é o corpo. Lembre-se tantas vezes quantas for possível para observar o corpo, se você está carregando uma tensão no corpo, em algum lugar no pescoço, na cabeça, nas pernas. Relaxe-o conscientemente. Apenas dirija-se àquela parte do corpo e convença aquela parte, diga-lhe amorosamente, "Relaxe!"
E se surpreenderá de que se você se aproxima de qualquer parte do seu corpo, ele escuta, ele o segue -- é o seu corpo! Com olhos fechados, vá para dentro do corpo do dedão do pé à cabeça procurando por qualquer lugar onde exista uma tensão. E, então, fale com aquela parte como a um amigo; deixe existir um diálogo entre você e seu corpo. Diga-lhe para relaxar, e diga a ele, "Não há nada com que se preocupar. Não tenha medo. Eu estou aqui para tomar cuidado -- você pode relaxar." Pouco a pouco, você aprenderá o clique disto. Então, o corpo se torna relaxado.
Então, dê outro passo, um pouco maior; diga à mente para relaxar. E se o corpo escuta, a mente também escuta, mas você não pode começar com a mente -- tem que começar do princípio. Não pode começar do meio. Muitas pessoas começam com a mente e falham; elas falham porque começaram de um lugar errado. Tudo deve ser feito na ordem certa.
Se você se torna capaz de relaxar o corpo voluntariamente, então será capaz de ajudar sua mente a relaxar voluntariamente. A mente é um fenômeno mais complexo. Uma vez que tenha se tornado confiante de que o corpo lhe ouve, terá uma nova confiança em si mesmo. Agora, até mesmo a mente pode lhe ouvir. Levará um pouco mais de tempo com a mente, mas acontece.
Quando a mente estiver relaxada, então comece a relaxar o seu coração, o mundo dos sentimentos, emoções -- que é até mais complexo, mais sutil. Mas agora você estará se movendo com confiança, com grande confiança em si mesmo. Agora, você saberá que é possível. Se é possível com o corpo e é possível com a mente, é possível com o coração também. E somente então, quando tiver dado estes três passos, você pode dar o quarto. Agora, pode ir ao núcleo mais profundo do seu ser, que está além do corpo, mente, coração; o próprio centro da sua existência. E você será capaz de relaxar lá também.
E este relaxamento certamente traz a maior alegria possível, o derradeiro em êxtase, aceitação. Você estará cheio de bênçãos e regozijando. A sua vida terá a qualidade da dança nela. [...]
Mas comece com o corpo e então vá, pouco a pouco, mais fundo. E não comece com nenhuma outra coisa mais, a menos que tenha, primeiro, resolvido o mais básico. Se o seu corpo estiver tenso, não comece com a mente. Espere. Trabalhe com o corpo. E simplesmente coisas pequenas são de imensa ajuda.
Você caminha com um certo passo; isto se tornou habitual, automático. Agora tente caminhar vagarosamente. Buda costumava dizer a seus discípulos, "Caminhem muito vagarosamente, e dêem cada passo muito conscientemente." Se você der cada passo muito conscientemente, está fadado a caminhar lentamente. Se você estiver correndo, com pressa, esquecerá de se lembrar. Por esta razão, Buda caminha muito vagarosamente.
Apenas tente caminhar muito vagarosamente, e se surpreenderá -- uma nova qualidade de percepção começa a acontecer no corpo. Coma vagarosamente, e se surpreenderá -- há um grande relaxamento. Faça tudo vagarosamente... apenas para mudar o antigo padrão, apenas para sair de hábitos antigos. Primeiro, o corpo tem que se tornar completamente relaxado, como uma criança pequena; somente então comece com a mente. Mova-se cientificamente: primeiro o mais simples, então o complexo, então o mais complexo. E somente então você pode relaxar no centro definitivo...


Osho em The Dhammapada, volume 10

O Vaso Chinês

"Uma velha senhora chinesa seguia pela trilha com dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas. Um dos vasos era rachado e o outro, perfeito.

Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada do rio até sua casa, enquanto o rachado chegava meio vazio.

Durante muito tempo, foi assim, com a senhora chegando à casa somente com um vaso e meio de água.

Naturalmente, o vaso perfeito era muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito e por conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer.

Depois de dois anos, refletindo sobre a amargura de ser "rachado", o vaso falou com a senhora durante o caminho: - Tenho vergonha de mim mesmo porque esta rachadura que eu tenho faz-me perder metade da água durante o caminho até a sua casa.. A velhinha sorriu:

- Reparaste que lindas flores existem somente do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e, por isso mesmo, plantei sementes de flores na beira da estrada, do teu lado. E todos os dias, enquanto a gente voltava, tu as regavas!

Durante dois anos pude recolher aquelas belíssimas flores para enfeitar a mesa do meu lar. Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhas na minha casa. Cada um de nós tem o seu defeito.

Mas justamente esta característica que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante. É preciso aceitar cada um pelo que é.. E descobrir o que há de bom nele."

" Senhor, ensina-nos a olhar além das aparências... Deixa-nos ver o poder que emana dos aparentemente fracos e sem valor... Leva-nos ao novo!! O Novo Divino, que exclui nossos falhos sentidos mortais e abre-nos para o verdadeiro sentido... O SENTIDO ESPIRITUAL".


Amém!

domingo, 13 de dezembro de 2009

DEUS SE COMPRAZ COM O HOMEM


William E. Moody

PARTE II – FINAL
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Eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo (Mateus 3: 16,17).
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É no procurar e, a seguir, no esforçar-nos sinceramente para levar bênçãos a outros, que nós também começamos a apreender e a provar o que o homem verdadeiramente é, como o produto perfeito da Mente divina. E, quando nos devotamos a realizar o que Deus pede de Sua própria e pura expressão, compreendemos de modo mais completo a unidade do homem com o Pai – relacionamento que jamais pode ser desfeito, que é permanente. É nisto que reside a nossa segurança, a nossa alegria plena e a nossa paz.

Quais são especificamente algumas das coisas que podemos fazer agora para reconhecer mais plenamente a vontade de Deus e provar a identidade do homem como Seu reflexo espiritual? Uma dessas coisas envolve nossa adoração de Deus e a forma que ela toma. Se nossa adoração é superficial, mero ritual semanal impensado, ou se não passa de cerimônias e símbolos materiais, não trará satisfação permanente e será de pouco benefício para a humanidade. A adoração de Deus deve ser contínua, não fragmentada. Nossa adoração (aos domingos, quartas-feiras, por todos os dias e momentos de nossa vida) pode ser tão espontânea, livre e inspiradora que constante e progressivamente eleve o pensamento acima das percepções erradas dos mortais e das limitações mortais até a visão da realidade, que não está circunscrita em sua bondade e beleza espiritual. E nosso reconhecimento da realidade pode incluir a todos- sem deixar uma só pessoa de fora. Podemos estar certos do amor universal de Deus.

Outro passo essencial para realizar o propósito sagrado que Deus tem para o homem provém de nossos esforços em deixar de pecar. Se nos rebelamos contra as crenças falsas de que o estado físico representa o que é de valor e essencial em nossa experiência, começamos a pôr abaixo a fachada da mentira, ou ilusão, de haver supostamente fundamento para a existência do pecado. O pecado não produz nenhum prazer real e não se origina de Deus. Ver que a vida é inteiramente espiritual, esforçar-se para colocar cada pensamento e cada ação de acordo com essa verdade, não ter outros deuses diante do único Deus, compreender que o Espírito divino nunca estabeleceu no homem a capacidade de pecar nem o desejo de pecar – tudo isso ajuda a erradicar o pecado. Encontramos a nossa liberdade e abençoamos a humanidade, assim como somos abençoados por Deus.

Também podemos curar. Espera-se que curemos – a nós mesmos e a outros. Novamente, Cristo Jesus é o exemplo. Os livros de texto usados na Ciência Cristã, a Bíblia e Ciência e Saúde, apresentam as regras científicas e as leis espirituais que promovem o êxito na cura, e a cura se coaduna com a vontade de Deus como manifestação ativa do Cristo, a Verdade. Toda vez que de nossa adesão à lei divina resulta a cura, estamos vendo o prazer que Deus tem, manifestar-se na Sua criação perfeita.

Cristo Jesus, consciente de sua verdadeira origem e de seu propósito, proclamou: “Aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada”. Estas podem ser as nossas metas: compreender e demonstrar a origem espiritual do homem e sua razão de ser – na medida em que adoramos sincera e honestamente a Deus, cessamos de pecar, curamos mediante a oração, e sempre nos esforçamos para fazer a vontade de nosso Pai. E, assim fazendo, não nos sentiremos a sós nem desprovidos de valor. Sim, Deus se “compraz” com Seus filhos queridos, Seu reflexo perfeito.


( Extraído de O Arauto da Ciência Cristã – Fevereiro 1983)

DEUS SE COMPRAZ COM O HOMEM


William E. Moody.

Eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus
descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo (Mateus 3: 16,17).

Eis aí simples, porém magnífica declaração do amor do Pai pelo Cristo que Jesus revelou ser a verdadeira natureza do homem. De acordo com o registro bíblico, o Mestre, a essa altura de sua carreira, ainda estava se preparando para a grande obra do ministério que lhe fora designado – curar, redimir e alimentar as multidões de corações famintos de mais profunda certeza da presença de Deus.

O Salvador veio dar prova perfeita da infinita capacidade do Amor divino para atender às grandes necessidades da raça humana. Seu advento não tem paralelo; ninguém jamais entrou no cenário humano em condições semelhantes às de Jesus nem com igual promessa especial santa. Ele era verdadeiramente o ungido de Deus.

No entanto, Deus, que é a Mente divina, o Espírito infinito, não é, de modo algum, uma divindade antropomorfa que, sentada nos céus, vigia o desfile da mortalidade cá embaixo e, então, decide quais as ações humanas que asseguram ou não asseguram prazer especial. O panorama mortal é irreal, ilusório. Deus apenas conhece Sua própria expressão perfeita – o homem e o universo, inteiramente espirituais, permanentemente bons.

Em termos humanos, ao descrever a terna solicitude de Deus por nós, pode acontecer que falemos no Seu “prazer divino”; mas Deus, de fato, só Se “compraz” com Sua própria manifestação, com Seu reflexo espiritual. E é isso o que a identidade real de Cristo Jesus realmente representava: a natureza do Espírito e a atividade da Verdade divina a transmitir a ideia do ser imortal.

Conquanto o fato absoluto seja o de que Deus não conhece nenhuma outra criação senão a sua própria criação espiritual, isto não nos desobriga da responsabilidade de demonstrar, no mais alto grau possível, e justamente aqui onde nos encontramos, o padrão essencial de bondade espiritual – de provar a suprema realidade de que o santo reino de Deus é o único reino. Cristo Jesus é o nosso guia, e continuamos sob a exigência de nos esforçarmos para viver como ele ensinou.

A obra de Jesus deixou claro que ele conhecia o Antigo Testamento em seus mais íntimos detalhes. Jesus conhecia suas palavras, sua história e poesia, suas ilustrações, suas leis e mandamentos, seu significado espiritual e suas aplicações práticas. Recorreu a esses abundantes recursos durante toda a sua carreira. Com verdades tiradas das Escrituras, Jesus refutou as tentações do diabo, silenciou os argumentos dos fariseus, e indicou que há autoridade para demandar a cura espiritual.

Do que consta a respeito do seu ministério, as Escrituras eram como que alimento para Jesus. O evangelho de Lucas indica que, mesmo antes da idade adulta, “crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre ele.” E então lemos, no relato a respeito de Jesus, que aos doze anos conversava com os doutores no templo: “E todos os que o ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas”. A narrativa do evangelho conclui assim:

“E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens”.

Provavelmente a maioria de nós já teve o desejo de seguir mais de perto o exemplo do Mestre – de demonstrar mais completamente a filiação espiritual individual. Talvez achemos ter ficado aquém da expectativa ou simplesmente julgamos não estar à altura da estatura espiritual de santidade e pureza que de nós era esperada. E assim, ansiamos por ser acolhidos pelo Amor divino. Mas a cálida ternura da solicitude de Deus está sempre presente à nossa disposição, e descobrimos que assim é, quando deixamos de procurar satisfação ou realidade na matéria.

Ao orar, escutar e ao nos esforçarmos para cumprir resolutamente a vontade de Deus e manifestar incessantemente Sua bondade, tal como Jesus o fez, passamos a perceber ser este o único caminho por meio do qual podemos alcançar uma realização duradoura e verdadeira. No livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy assevera o seguinte: “As duras experiências provenientes da crença na suposta vida da matéria, bem como nossos desenganos e sofrimentos incessantes, levam-nos, como crianças cansadas, aos braços do Amor divino. Então, começamos a compreender a Vida na Ciência divina. Sem esse processo de desavezar, “Porventura desvendarás os arcanos de Deus?”



Continua..>

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Natal

O mundo inteiro prepara para mais um Natal. É um tempo de alegria, de mais amor, de esperança. E é o que todos necessitam neste mundo conturbado: esperança.Esperança autêntica que nos renova e que nos leva a importar com outras vidas. A verdadeira esperança não resulta de planejamento, nem da procura da própria esperança. Na verdade ela cresce oriunda de duas convicções básicas: que Deus está no controle, e que Ele intervém. A experiência e realidade do Natal nos trás sempre algo novo uma esperança duradoura. Graças ao Altíssimo a nossa esperança está fundamentada na vinda de Cristo ao mundo e a evidência maior dessa esperança é ter Cristo em seu próprio coração. Podemos dizer com alegria, como os anjos disseram no passado: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra a quem Ele quer bem” – Lucas 2: 14. Esta é a mensagem divina e profética.O mundo, um dia, foi despertado por ela para um tempo novo na sua história. A mensagem angelical anunciada aos pastores de Belém revelava o propósito do coração de Deus. A paz tão desejada entre os povos, não é um projeto humano, mas sim uma promessa, algo do coração de Deus para o homem.Era e é o cuidado divino para todos que venham a crer. Desfrutamos dessa paz por meio da fé nAquele que tem todo o poder no céu e na terra, para garantir a sua promessa para conosco. Veiculam por aí, infelizmente, uma corrente doutrinária de não celebração ou comemoração do Nata1.Afirmam ser uma festa pagã, porquanto não se sabe com exatidão, a data do nascimento de Jesus. O Natal não é uma festa pagã, como muitos defendem e apregoam. O Natal é festa cristã e nela celebramos o nascimento do Salvador. É bem verdade que não se sabe a data real do nascimento do Senhor Jesus. A Bíblia não relata, mas Ele veio, e isso é o mais importante. Este é o verdadeiro sentido do Natal, a vinda de Cristo à terra, mas principalmente porque Ele morreu e ressuscitou, e está à destra do Pai, glorificado, e intercede por nós. Está descrito na Palavra de Deus. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”-Isaias 9: 6. Ele é o rei messiânico que prenunciava uma época ideal de paz. O Messias está retratado por quatro nomes: Maravilhoso, Conselheiro – é na realidade um único nome que significa cheio de sabedoria e liderança; Deus Forte – denota sua deidade; Pai da Eternidade – retrata o relacionamento incessante, terno e amoroso com seu povo; Príncipe da Paz – é uma referência a uma vida rica e harmoniosa. É verdadeiramente glorioso, e seu reino jamais terá fim. É preciso que ainda seja esclarecido: pagãos sãos os símbolos ligados à realidade do Natal, criados com efeitos especulativos comerciais, os quais não têm base bíblica.Assim, é importante que os cristãos estejam atentos e saibam discernir o precioso do vil, e não sejam envolvidos com sugestões que não geram nenhuma edificação cristã. Comemoramos o Natal por que...· Ele não é comercialização· Celebramos o nascimento do Salvador· Deus se fez homem e habitou entre nós· Jesus é a revelação do amor de Deus· Jesus é a revelação do plano de Deus· Não podemos ignorar os relatos bíblicos a seu respeitoMat 1: 18-25//Mat 2//Luc 2: 8-14//Is 9: 6//Miq 5: 2-15, etc. Meu desejo sincero a cada leitor destas linhas, é que tenha sua consciência amadurecida com o profundo significado do Verdadeiro Natal – JESUS.NATAL!O mundo inteiro prepara para mais um Natal.É um tempo de alegria, de mais amor, de esperança. E é o que todos necessitam neste mundo conturbado: esperança.Esperança autêntica que nos renova e que nos leva a importar com outras vidas.A verdadeira esperança não resulta de planejamento, nem da procura da própria esperança. Na verdade ela cresce oriunda de duas convicções básicas: que Deus está no controle, e que Ele intervém.A experiência e realidade do Natal nos trás sempre algo novo uma esperança duradoura. Graças ao Altíssimo a nossa esperança está fundamentada na vinda de Cristo ao mundo e a evidência maior dessa esperança é ter Cristo em seu próprio coração.Podemos dizer com alegria, como os anjos disseram no passado: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra a quem Ele quer bem” – Lucas 2: 14.Esta é a mensagem divina e profética.O mundo, um dia, foi despertado por ela para um tempo novo na sua história. A mensagem angelical anunciada aos pastores de Belém revelava o propósito do coração de Deus. A paz tão desejada entre os povos, não é um projeto humano, mas sim uma promessa, algo do coração de Deus para o homem.Era e é o cuidado divino para todos que venham a crer. Desfrutamos dessa paz por meio da fé nAquele que tem todo o poder no céu e na terra, para garantir a sua promessa para conosco.Veiculam por aí, infelizmente, uma corrente doutrinária de não celebração ou comemoração do Nata1.Afirmam ser uma festa pagã, porquanto não se sabe com exatidão, a data do nascimento de Jesus.O Natal não é uma festa pagã, como muitos defendem e apregoam. O Natal é festa cristã e nela celebramos o nascimento do Salvador. É bem verdade que não se sabe a data real do nascimento do Senhor Jesus. A Bíblia não relata, mas Ele veio, e isso é o mais importante. Este é o verdadeiro sentido do Natal, a vinda de Cristo à terra, mas principalmente porque Ele morreu e ressuscitou, e está à destra do Pai, glorificado, e intercede por nós. Está descrito na Palavra de Deus. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”-Isaias 9: 6.Ele é o rei messiânico que prenunciava uma época ideal de paz. O Messias está retratado por quatro nomes: Maravilhoso, Conselheiro – é na realidade um único nome que significa cheio de sabedoria e liderança; Deus Forte – denota sua deidade; Pai da Eternidade – retrata o relacionamento incessante, terno e amoroso com seu povo; Príncipe da Paz – é uma referência a uma vida rica e harmoniosa. É verdadeiramente glorioso, e seu reino jamais terá fim.É preciso que ainda seja esclarecido: pagãos sãos os símbolos ligados à realidade do Natal, criados com efeitos especulativos comerciais, os quais não têm base bíblica.Assim, é importante que os cristãos estejam atentos e saibam discernir o precioso do vil, e não sejam envolvidos com sugestões que não geram nenhuma edificação cristã.Comemoramos o Natal por que...· Ele não é comercialização· Celebramos o nascimento do Salvador· Deus se fez homem e habitou entre nós· Jesus é a revelação do amor de Deus· Jesus é a revelação do plano de Deus· Não podemos ignorar os relatos bíblicos a seu respeitoMat 1: 18-25//Mat 2//Luc 2: 8-14//Is 9: 6//Miq 5: 2-15, etc. Meu desejo sincero a cada leitor destas linhas, é que tenha sua consciência amadurecida com o profundo significado do Verdadeiro Natal – JESUS.

Maria Loussa

sábado, 28 de novembro de 2009

Maravilhoso!

Marilyn Jones

Imaginemos a comemoração de um aniversário com dois bilhões de pessoas. Falo sério, dois bilhões de pessoas. Isso porque neste 25 de dezembro, cerca de dois bilhões de pessoas em todo o mundo celebrarão o nascimento de Jesus de Nazaré, com festas, presentes, cerimônias, eventos e, até mesmo, com momentos de quietude e reflexão, tudo para registrar um nascimento que ocorreu há mais de 2000 anos. Extraordinário! De fato, talvez possamos descrever tudo o que se refere a Jesus como surpreendente, assombroso, magnífico e, claro, maravilhoso.
Para começar, que tal o fato de o profeta Isaías ter profetizado de forma correta esse notável nascimento, cerca de 700 anos antes que ele acontecesse? Na época em que Isaías vivia, por volta de 650 A.C, Israel sofria invasões e guerras terríveis. Contudo, Isaías via um brilhante futuro à frente. Ele prometeu que, quando o povo se afastasse do espiritualismo e parasse de tentar se comunicar com os mortos, a luz despontaria em Israel, e que “não haveria mais trevas para aqueles que estavam em aflição” (Isaías 9:1, New International Version [Nova Versão Internacional da Bíblia]).
Isaías, membro da aristocracia de Israel e muito respeitado na comunidade, também profetizou a vinda de um governante que destruiria a opressão e as injustiças sofridas pelo povo. Um novo tipo de governo seria estabelecido e um filho real viria para salvar a humanidade do desespero e da angústia: “Pois já nasceu uma criança, Deus nos mandou um menino que será o nosso rei. Ele será chamado de ‘Conselheiro Maravilhoso’, ‘Deus Poderoso’, ‘Pai Eterno’, ‘Príncipe da Paz’. Ele será descendente do rei Davi; o seu poder como rei crescerá, e haverá paz em todo o seu reino. As bases do seu governo serão a justiça e o direito, desde o começo e para sempre. No seu grande amor, o Senhor Todo-Poderoso fará com que tudo isso aconteça” (Isaías 9:6, 7).
Isaías deu ao Messias cinco nomes: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz
Podemos imaginar a agitação que a profecia de Isaías deve ter causado! Um salvador para toda a humanidade? Um soberano que governaria de modo justo, que estabeleceria um reinado sempre crescente e asseguraria paz sem fim? Essa esplêndida promessa deve ter acendido a esperança e o regozijo nos corações de todos os que ouviram as palavras de Isaías, a saber, que um salvador viria de Deus para trazer segurança, justiça e salvação eterna, não somente para Israel, mas para o mundo todo!
Para que ninguém pense que Isaías talvez não tivesse entendido direito os fatos de sua profecia, ele deu detalhes específicos. Ele disse ao povo que o Messias viria da linhagem real do Rei Davi. Conforme a versão King James da Bíblia, ele deu ao Messias cinco nomes: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.
Devemos observar que muitas versões modernas da Bíblia omitem a vírgula entre Maravilhoso e Conselheiro e, em vez disso, traduzem o primeiro desses nomes como Maravilhoso Conselheiro. De qualquer forma, cada uma dessas designações dadas ao Salvador excede em muito os títulos comuns que herdeiros reais normalmente recebem. No sentido dado pela versão King James, certamente podemos compreender o significado de reconhecer o Messias como Maravilhoso.
Como tudo na vida de Jesus, seu nascimento começa com acontecimentos verdadeiramente extraordinários
Mas será que essa palavra nos ajuda hoje a alcançar plenamente a magnitude assombrosa e inspiradora da vida de Jesus na terra, uma vez que, atualmente, a palavra maravilhoso perdeu muito poder devido ao seu uso excessivo? Por exemplo, exclamamos que sorvetes, filmes e sapatos bonitos são maravilhosos! Ainda assim, o significado dessa palavra: “capaz de provocar admiração; surpreendente; extraordinariamente bom ou grandioso”, juntamente com alguns de seus sinônimos, tais como: prodigioso, formidável, miraculoso, surpreendente, estupendo, fenomenal e incomparável nos ajudam a apreciar mais profundamente a alegria e a antecipação, a exuberância e o poder do profetizado Messias.
Ele será MARAVILHOSO! Ele nos encherá de admiração, fará com que nos maravilhemos, ele nos inspirará com sua estupenda e extraordinária vida! Sua missão mudará o mundo, trará luz, constância e glórias inconcebíveis para libertar a humanidade da desolação e das trevas. Reinará com fidelidade e justiça, pois trará salvação! Aleluia!
À medida que avançamos sete séculos desde a profecia de Isaías, talvez possamos imaginar como o mundo ouvirá as boas novas sobre o nascimento do Messias. Como esse anúncio convencerá as pessoas de que Jesus de Nazaré realmente é a prometida “dádiva de Deus” da profecia de Isaías? Ora, como tudo o mais na vida de Jesus, seu nascimento começa com acontecimentos verdadeiramente extraordinários.
Anjos anunciaram o nascimento do sagrado menino aos pastores que cuidavam de seus rebanhosSabemos pelos Evangelhos de Mateus e Lucas que, quando o menino Jesus nasceu em Belém, nenhum edital saiu de um rico palácio, nenhum mensageiro foi de cidade em cidade para anunciar o nascimento de um herdeiro real. Ao contrário, arautos especiais que inspiraram mais admiração do que nunca antes na história, anunciaram o evento surpreendente. Anjos, pensamentos que são mensagens do Criador do universo, anunciaram o nascimento do sagrado menino aos pastores que cuidavam de seus rebanhos.
Os Evangelhos também falam de três “homens sábios”, também conhecidos como Reis Magos (ver Mateus 2:1, 2), que viajaram de muito longe para saudar o recém-nascido Príncipe da Paz. Esses devotos sábios, ou, de acordo com outros relatos, esses três reis seguiram uma estrela, dia e noite, até o lugar onde nasceu Jesus para honrar e adorar o tão esperado Messias.
O que os inspirou? Não temos nenhum registro a respeito do que eles pensavam, de suas conversas, de suas orações. O que eles esperavam encontrar? O que eles esperavam aprender? Podemos supor que, uma vez que nenhum anúncio foi dado ao mundo, eles devem ter sido divinamente guiados enquanto procuravam pelo recém-nascido Jesus. Mary Baker Eddy explicou a jornada desses sábios sob uma perspectiva puramente espiritual.
A Vida eterna existe agora, tal como existiu antes do nascimento de Jesus, e existirá para sempre“O pastor vigilante avista os primeiros tênues clarões da aurora, antes de surgir a plena radiação do novo dia. Foi assim que a pálida estrela brilhou aos pastores-profetas; e assim atravessou a noite e chegou onde, na obscuridade do berço, estava o menino de Belém, o arauto humano do Cristo, a Verdade, que iria esclarecer à compreensão toldada o caminho da salvação por Cristo Jesus, até que, através da noite do erro, despontasse a aurora e brilhasse a estrela-guia do ser. Os Magos foram levados a ver e a seguir essa estrela-d’alva da Ciência divina, que ilumina o caminho da harmonia eterna” (Ciência e Saúde, p. vii).
Desde aquela época, os cristãos têm feito a mesma jornada, embora de forma metafórica, em busca das lições universais e transformadoras de vida oriundas do nascimento e da vida de Jesus, e para descobrir o reino dos céus, que se encontra dentro de nossos próprios corações, o governo do Amor divino que habita nossa própria consciência. A Vida eterna existe agora, tal como existiu antes do nascimento de Jesus, e existirá para sempre.
Hoje, quando nos volvemos às antigas Escrituras que prenunciam a vinda de Jesus e a santa natureza do espírito-Cristo que ele revelaria ao mundo, podemos ver claramente que os nomes dados a Jesus apontam para sua missão. Como nos assegura a profecia de Isaías, esse Príncipe da Paz, esse Maravilhoso Conselheiro, defenderá o seu povo e trará um reino duradouro de júbilo e harmonia ao mundo. Suas obras farão com que as pessoas em toda parte fiquem maravilhadas. Nenhum governante jamais se igualará à sua autoridade e influência.
Pessoas em toda parte continuam a descobrir a estupenda, maravilhosa e magnífica luz do Amor divinoNesta época de Natal, o nascimento e o ministério de Jesus ainda inspiram esperança e transformação nos corações de aproximadamente dois bilhões de pessoas ao redor do mundo. Será que alguém consegue calcular a essência e a amplitude da influência de Jesus ao longo dos últimos vinte séculos? Ninguém consegue porque a influência da obra de sua vida e de sua sagrada mensagem espiritual continua a curar e a transformar vidas por todo o globo.
A mensagem de Jesus a respeito da vida eterna e da irrealidade do pecado, da doença e da morte, de sua revelação do valor especial e da fidedignidade intrínsecos que cada indivíduo possui, e sua demonstração do amor inexaurível do nosso Progenitor divino por toda sua criação, continua a resgatar a humanidade da falta de esperança e da tristeza.
Pessoas em toda parte continuam a descobrir a surpreendente, maravilhosa e magnificente luz do Amor divino. O Amor que cobre a terra como “as águas cobrem o mar” (ver Isaías 11:9). Portanto, neste mês, quando os cristãos novamente se reúnem por todo o planeta para celebrar o santo nascimento, como têm feito durante os últimos vinte séculos, proclamaremos juntos: Aleluia! Aleluia! Porque seu nome será de fato Maravilhoso!


Marilyn Jones mora em Telluride, Colorado, EUA.

sábado, 7 de novembro de 2009

Todos iguais e valiosos aos olhos de Deus

Gabriel Tshiala Lumbadila


Quando criança, na República Democrática do Congo, fui educado na igreja católica. Embora meu interesse pela vida dos santos tivesse aumentado, Deus ainda permanecia desconhecido para mim. Eu tinha um forte desejo de me tornar padre e, curiosamente, muitas pessoas diziam que eu parecia um sacerdote. Contudo, sabia que o desejo de me tornar padre não seria aceito pelos meus pais, pois eu era o filho mais velho da família e esperava-se que eu levasse avante a linhagem familiar.
Durante os anos em que estudei na Bélgica, meus amigos e eu trabalhamos nas férias de verão em um grande pomar de maçãs. Enquanto estávamos na fila ao final do dia para receber nosso primeiro pagamento diário, um amigo veio nos contar que nosso empregador tinha duas taxas diferentes de pagamento: um valor “para homem” e um outro, mais baixo, “para mulher”. Instintivamente, meus amigos me olharam, pois sabiam que eu era defensor da igualdade de direitos para ambos os sexos. Entretanto, preferi a ação às palavras, portanto, quando entrei no escritório da plantação, meu protesto foi pedir para receber o valor equivalente ao pagamento das mulheres.
Um propósito de curaDurante esse período, vinha procurando conhecer a Deus em vários livros sobre religião e filosofia, mas sempre em vão. Além disso, fracassei nos estudos universitários devido à conduta irresponsável e meus pais pediram que eu voltasse para casa.
No voo de volta para a África, li vários trechos do livro Ciência e Saúde, que ganhara de presente de um amigo. A partir daí, comecei a estudar o livro juntamente com a Bíblia e, aos poucos, esse estudo ajudou-me a encontrar um propósito na vida, enquanto me esforçava por compreender a resposta do livro à pergunta: “O que é o homem?” (p. 475).
A fim de obter a resposta a essa pergunta, comecei, aos poucos, a conhecer a Deus. Aprendi que Deus é Espírito, Amor, nosso Pai e Mãe, o bem infinito. Que Ele criou o homem inteiramente espiritual, perfeito, à Sua imagem e semelhança, macho e fêmea, porque o termo genérico homem também inclui a mulher. Todo o meu modo de pensar começou a mudar de uma base material para uma base espiritual.
Também descobri que o Cristo é universal e atemporal e está aqui para abençoar toda a humanidade, como “...a idéia verdadeira que proclama o bem, a mensagem divina de Deus aos homens, a qual fala à consciência humana” (Ciência e Saúde, p. 332). Percebi que o Cristo aparentemente influenciou Martinho Lutero na Europa, quando ele “popularizou” a Bíblia em alemão, no Século XVI. Mais tarde, “A ideia verdadeira que proclama o bem” levou Abraham Lincoln a abolir a escravidão africana nos Estados Unidos e, mais recentemente, o Cristo deve ter levado Mahatma Mohandas Gandhi a lutar pela independência da Índia e à abolição do sistema de castas, Martin Luther King Jr. a lutar pela igualdade racial, e Nelson Mandela a conduzir o povo da África do Sul ao triunfo sobre o “apartheid”.
Eu também desejava ansiosamente ver o Cristo em ação em minha vida, capacitando-me a ajudar os outros.
Primeiros pedidos por oraçãoHá alguns anos, em uma quarta-feira, um pouco antes de começar a reunião de testemunhos na igreja filial da Ciência Cristã que eu frequentava, senti-me inundado por um amor puro e espiritual e deixei que esse amor fluísse para todos, especialmente para o Primeiro Leitor que iria conduzir a reunião. Depois que a reunião terminou, senti novamente a mesma efusão de amor e, naquele momento, o Primeiro Leitor me pediu que orasse por ele, pois sua noiva havia lhe dito que cometeria suicídio, caso fosse reprovada nos exames finais e, infelizmente, ele traria más notícias para ela.
Tempos depois, compreendi que o Amor divino já havia feito a obra, quando senti aquele amor ardendo em mim antes e depois do culto. Sabia, também, que o Amor divino é o único sanador, que ele faz a obra por nós e que a vontade humana jamais está envolvida na cura. No domingo seguinte, o Primeiro Leitor me contou com gratidão que sua noiva havia mudado completamente sua maneira de pensar.
Quando meu interesse em ajudar os outros pela oração aumentou, fiz o Curso Primário da Ciência Cristã. Durante aqueles doze dias maravilhosos, dois fatos me chamaram a atenção. Primeiro, a professora enfatizou várias vezes que não existe matéria e sustentou esse ponto com declarações que constam dos livros de Mary Baker Eddy. A professora nos pediu que memorizássemos este parágrafo: “O Espírito é infinito; portanto, o Espírito é tudo. ‘Não há matéria’ não é apenas um axioma da verdadeira Ciência Cristã, mas é a única base sobre a qual essa Ciência pode ser demonstrada” (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Vários Escritos], p. 357).
O segundo fato memorável aconteceu quando a professora nos mostrou como “tratar” ou orar diariamente por nós mesmos. Como exemplo, ela tratou a si mesma em voz alta, e fiquei impressionado quando ela falou a respeito da morte como sendo o nada, como uma ilusão.
Logo após ter concluído esse curso, alguém que havia acabado de fazer exames médicos veio me ver. Ele estava em prantos porque o médico lhe dissera que tinha apenas seis meses de vida. Essa pessoa, então, pediu-me para lhe dar um tratamento por meio da oração. O interessante é que ele não me disse o nome da doença, mas lhe expliquei que sua vida não dependia de seu sangue nem da perícia de seu médico. Orei por ele por aproximadamente meia hora, e então ele foi embora se sentindo aliviado. Uma semana mais tarde, retornou sorrindo e me disse que estava completamente curado.
A vida como um refugiadoCerto dia, meu pai chegou em casa parecendo bastante assustado e me contou que a polícia viria revistar nossa casa. Ele havia lutado contra a corrupção, expurgando nomes de empregados fantasmas da folha de pagamento de uma importante agência do serviço nacional. Quando ele reuniu todas as listas de nomes com os quais havíamos trabalhado e tentou encontrar um lugar melhor para escondê-las, percebi o quanto ele estava comprometido em levar esse trabalho até o fim, e quão temeroso estava pela minha segurança. Ele ordenou que eu fosse para o Zaire, como era então conhecido o Congo, e eu lhe obedeci.
Passei dois anos penosos em um campo de refugiados na Namíbia. Entretanto, lembro-me com gratidão da ajuda em dinheiro, alimento e literatura que amigos da minha Associação de alunos da Ciência Cristã me enviaram durante aqueles tempos difíceis. Sabia, contudo, que não dependia deles, mas de Deus, para uma solução permanente para minhas necessidades diárias.
Fiquei feliz ao deixar a Namíbia e ir para o Canadá, mas também triste porque isso significava deixar para trás meu novo emprego como professor de matemática e ciências, e a mulher que conhecera enquanto dava aulas, com quem esperava me casar. Contudo, minha partida aconteceu pelo poder da oração e da minha fé em Deus, pois meu pedido de imigração foi o único concedido entre inúmeros outros.
Canadá: nem tudo foi alegriaDepois de chegar ao Canadá, tive de começar minha vida novamente. Embora tivesse sido professor, agora me candidatara para qualquer tipo de trabalho que pudesse encontrar, a fim de ter uma vida decente e poder ajudar minha mãe, minhas irmãs e irmãos, que haviam ficado na África. Encontrei médicos, engenheiros e outros imigrantes com alto nível de escolaridade, os quais estavam aceitando empregos temporários. Ao orar sobre minha situação, ocorreu-me que aquele “homem divinamente real”, Jesus, era um carpinteiro (ver Ciência e Saúde, p. 313). Então, aproveitei essa oportunidade para cultivar a humildade que parecia essencial à minha jornada espiritual. Essa era a única forma de salvaguardar minha autoestima e ser útil ao país que me acolhera.
Aprendi, de maneira muito clara, que Deus ama a cada um de nós, de forma invariável e igualitária, como Seus filhos, a despeito do tipo de serviço que fazemos. Portanto, Seu amor por um diretor de empresa não é maior do que por um operário.
Dois anos após ter chegado ao oeste do Canadá, mesmo tendo um emprego em tempo integral, voltei a estudar, também em tempo integral. Saí-me muito bem como estudante, mas, no último ano do curso, um dos professores parecia agir com discriminação e quase não reparava em mim, nem no que eu fazia. Inesperadamente, porém, fui o primeiro a terminar a prova semifinal e então sua atitude para comigo mudou. Não obstante, durante todo o tempo, sempre que orava para essa situação, eu o via como Deus o conhecia, como um filho igualmente amado. Formei-me em sistemas de informação empresarial.
Encontrei muitas pessoas maravilhosas em minha nova pátria, mas também me defrontei com discriminação racial, quando tentei alugar um apartamento, ao fazer compras, no transporte público e no ambiente de trabalho. Superar esse problema foi meu maior desafio.
No livro Ciência e Saúde, Mary Baker Eddy definiu o homem com termos espiritualmente científicos. Ela escreveu: “O homem não é matéria; não é constituído de cérebro, sangue, ossos e de outros elementos materiais. As Escrituras nos informam que o homem é feito à imagem e semelhança de Deus. A matéria não é essa semelhança” (p. 475). Raciocinei que um desses “outros elementos materiais” é a cor da pele. Muito embora a ciência física considere o cérebro como a fonte da inteligência, na Ciência Cristã cada indivíduo é compreendido como tendo uma única identidade espiritual como o reflexo da inteligência divina.
O Apóstolo Paulo confirma a falsidade da desigualdade racial, ao dizer: “A fé em Cristo Jesus é o que faz cada um de vocês iguais uns aos outros, caso seja judeu ou grego, escravo ou pessoa livre, homem ou mulher” (Gálatas 3:28, Versão Inglesa Contemporânea). Mary Baker Eddy também foi específica neste ponto: “O Amor tem uma única raça, um único reino, um único poder” (Poems [Poemas], p. 22). Essas verdades reforçaram minha convicção de que, para Deus, não somos brancos, pretos nem amarelos, porque o homem é inteiramente espiritual.
Enquanto me esforçava para superar o tormento da discriminação, que é, em realidade, um mal ou erro impessoal, descobri que eu também havia agido como um discriminador. Jesus perguntou em seu Sermão do Monte: “Por que se preocupar com um cisco no olho do seu amigo quando você tem uma trave no seu próprio olho”? (Mateus 7:3, Nova Versão Viva). Compreendi que, cada vez que via um ser humano, meu semelhante, como doente, pecador, velho, moribundo ou pobre, de fato, sempre que aceitava um conceito material sobre alguém, eu estava também discriminando essa pessoa. Essa autoanálise, em espírito de oração, fez com que me empenhasse em ver cada um sob a luz divina, substituindo mentalmente o conceito material pelo divino, como havia feito com meu professor na escola.
Precisava ver cada homem e mulher como espiritual, puro, isento de pecado e imortal, porque eles expressam o único Espírito, Alma ou Vida, que é Deus. Essa é a única maneira pela qual eu podia encontrar minha verdadeira identidade e propósito na vida.
Durante sua crucificação, Jesus orou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34). Ele conhecia a Verdade pura a respeito da vida, mas seus torturadores ignoravam isso. No entanto, mesmo em agonia, Jesus seguia com sua jornada espiritual, cuidava dos “negócios de seu Pai” e via a identidade espiritual de seus inimigos como inocente, sem pecado. Portanto, não desisti de orar por um caminho livre da discriminação. Assumi a perspectiva de Jesus como se fosse minha, e ainda estou me empenhando em caminhar nas pegadas do Mestre.
A sensação de ser uma vítima se desvaneceu. O mais importante é que me sinto orgulhoso de quem sou como um ser espiritual, intocado por opiniões humanas e olhares ofensivos.
Visitando novamente o campo de refugiadosHá três anos, nove anos depois de partir da Namíbia, voei de volta para me casar com aquela moça paciente que mencionei anteriormente, cujo nome de batismo é Waiting [Esperança]. Enquanto os preparativos para que ela possa se juntar a mim no Canadá ainda estão em andamento, continuo a visitar a Namíbia durante as férias de Natal. Na minha terceira viagem para lá em dezembro de 2007, Esperança e eu viajamos de carro até o campo de refugiados, cerca de 300 quilômetros da cidade de Windhoek. Ela estava curiosa para conhecer o local onde passei a maior parte do tempo em que estive em seu país.
Levei minha esposa para conhecer os lugares onde eu costumava sentar, esperar e orar, quando me encontrava na mais desesperadora das situações e não via nenhuma saída possível. Como poderia então saber que um dia eu voltaria ali, bem vestido, podendo alugar um carro por um mês inteiro? A resposta é simples: não existe nenhuma barreira nem distância no amor.
Minha jornada espiritual me mantém seguindo em frente, do modo como Deus quer. O Amor divino me proporcionou um novo propósito e, com a minha querida Esperança, uma nova vida!

Gabriel Lumbadila, conhecido por amigos e parentes como Gaby, mora em Calgary, Alberta, Canadá. Tornou-se cidadão canadense em 2002

Mais do que apenas um bom relacionamento com nosso pai

J. Thomas Black
Relacionar-se bem com os outros pode ser um enorme desafio. Talvez muitos concordem em que os conflitos mais difíceis e dolorosos são os que acontecem entre pais e filhos, pessoas que realmente se amam e que, na verdade, desejam harmonia e paz. Às vezes, talvez pareça que não consigam suportar nem mais um minuto conviver com uma determinada pessoa, embora tenham de conviver na mesma casa e comer juntos, na mesma mesa.
Há um ditado que diz “o tempo cura todas as mágoas”. Isso pode até ser verdadeiro, mas somente se o tempo fizer com que o pensamento evolua na direção de Deus. Os conflitos são causados por ressentimentos muito profundos e opiniões mortais arraigadas. Algo precisa ser mudado no pensamento a fim de se adquirir mais paciência e respeito, caso contrário, os conflitos continuarão.
Desculpem-me pela franqueza, mas falo por experiência própria. Durante todo o ensino fundamental e médio, meu pai e eu tivemos um relacionamento de amor e ódio intenso e crescente. Achei que melhorasse quando eu partisse para a faculdade. Contudo, mesmo muitos anos depois, sempre que estávamos juntos saíam faíscas. Já era ruim o bastante para nós dois, mas especialmente árduo para minha mãe.
Tinha de mudar meu pensamento a respeito de meu paiApós uma briga particularmente penosa , desejei mais do que nunca ficar livre desses enfrentamentos. Pela primeira vez, parei de justificar meu comportamento e passei a aceitar o poder que a oração tinha para curar a situação. Então, uma percepção surpreendente e radical me sobreveio: tinha de mudar meu pensamento sobre meu pai, sem levar em consideração o que ele pensava e falava a meu respeito. Senti que precisava fazer essa mudança imediatamente e me lembrei de uma pequena estratégia que um amigo havia me sugerido havia alguns anos e que me ajudaria a colocar em prática minha intenção.
Do lado esquerdo de algumas folhas de papel escrevi, com uma palavra, os defeitos que eu achava descreviam meu pai. Essas palavras eram explícitas e detalhadas. Nas mesmas linhas, à direita, escrevi o exato oposto desses defeitos, e ponderei se as qualidades opostas não seriam o que Deus sabia a respeito de meu pai. Por exemplo, para egoísmo escrevi altruísmo. Ao lado de intolerância, amor e assim por diante, o que levou algum tempo.
Quando acabei, rasguei as folhas verticalmente ao meio, joguei a parte esquerda no incinerador do hotel onde estava hospedado naquela viagem de negócios. Guardei as informações do lado direito da folha.
Deus fez com que eu soubesse que Ele havia criado meu pai para me amarEu estava como Jacó, lutando com uma impressão falsa a respeito de Esaú, e Deus havia me ensinado o suficiente para que me dispusesse a admitir que Seu amor por meu pai era meu pensamento verdadeiro sobre ele, e não as sugestões desprezíveis que eu havia permitido se mascarassem como se fossem meus próprios pensamentos, durante tantos anos. Cheguei mesmo a compreender que Deus criara meu pai para me amar, um conceito radical e, mais ainda, que Deus fizera com que eu soubesse que Ele havia criado meu pai para me amar.
Ao longo dos dias subsequentes, revisava várias vezes por dia aquela lista de amor, o que me proporcionava uma alegria reconfortante. Meu pensamento mudara completamente. Jesus certa vez disse: “Arrependei-vos...” (Mateus 4:17), e foi exatamente essa influência do Cristo ou a Verdade de Deus agindo em meu pensamento que me permitiu mudá-lo. Dentro de poucos dias, passei realmente a admirar meu pai.
Depois que o simpósio empresarial do qual participava terminou, passei alguns dias na casa dos meus pais. Meu pai e eu nos entendemos muito bem. Não houve sequer uma única palavra amarga. Permanecemos amigos pelo resto de sua longa vida, conversando e dando muitas risadas nos frequentes telefonemas e visitas. O interessante é que outro membro da família, e que havia tido uma desavença com ele, disse que meu pai era agora um homem mudado. Eles também estabeleceram um relacionamento cordial.
Deus ama a todos nósEle realmente nos ama e Se relaciona conosco harmoniosamente. Aproximarmo-nos mais dEle significa que também nos aproximamos mais uns dos outros. É natural e correto deixar que a Verdade de Deus, o Cristo, transforme nossos pensamentos e traga a paz. Mary Baker Eddy, em Ciência e Saúde, disse: “Um só Deus infinito, o bem, unifica homens e nações; constitui a fraternidade dos homens; põe fim às guerras...” (Ciência e Saúde, p. 340).
Pais e filhos não brigarão para sempre. As nações não estarão em guerra constante. Existe um poder chamado Amor divino, ou Deus, que transforma o universo por meio da Ciência do Cristo, o Consolador prometido, ou Ciência Cristã. À medida que a humanidade aceitar o Cristo, ficará cada vez mais claro que a luta está condenada, e que a paz está assegurada. Existe um caminho, e o mesmo Cristo, que me guiou rumo à paz com meu pai, irá guiar-nos para a paz com o nosso mundo.

Tom Black é membro do Conselho de Diretores da Ciência Cristã, e Praticista e Professor de Ciência Cristã em Boston, Massachusetts, EUA.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vida Transformada

Desde minha infância, sempre ouvira falar sobre preconceito e racismo: Papai não gostava que eu falasse com certos vizinhos por determinados motivos, na escola as meninas ricas não brincavam com as pobres e as brancas não se misturavam com as negras. Pessoas deficientes eram discriminadas.
Quando completei cinco anos, meu pai quis que eu fosse morar com seus parentes. Eu sofria de bonquite asmática e talvez eles me cuidassem melhor, pois moravam em uma cidade com mais recursos. A família que me criou, contudo, dizia que eu era muito feia e que ninguém nunca iria gostar de mim. Também vivenciei discriminação no internato feminino em que iniciei minha alfabetização, onde me rotulavam com todos tipos de apelidos pejorativos. Quanto mais eu me entristecia, mais o problema se agravava.
Na fase adulta, enfrentei muitos desafios, pois eu era insegura e cheia de complexos. Eu não conseguia me centrar, era extremamente tímida e me achava inferior a todos. Também tinha desmaios repentinos e constantes.
Eu não progredia no trabalho e algumas vezes deixei de aceitar promoções a cargos de supervisão por achar que não seria capaz de exercê-los. Como tudo dava errado, eu pensava: “sou uma inútil mesmo, bem que me diziam e estavam certos”! Esses pensamentos me causaram muitos problemas, pois tudo o que sentimos de errado reflete-se em nossa vida.
Hoje, vejo que o preconceito gera um estado mental de completa insatisfação e insegurança, produz timidez, escraviza e limita. As pessoas responsáveis pela educação de crianças não têm ideia de como o cultivo de preconceitos de vários tipos e proporções pode causar graves problemas emocionais. Depois, não percebem que “um jovem problemático” é consequência do que eles mesmos cultivaram durante a infância daquele adolescente.
Jovens que não sabem como lidar com suas debilidades a fim de vencê-las, sentem-se fracos pelo massacre de informações distorcidas a seu respeito, e levam anos para compreender a realidade e beleza da vida na pureza e na essência dos valores espirituais.
Eu não gostava da vida que levava, mas quando comecei a estudar a Ciência Cristã, em 1981, percebi que seus conceitos me livrariam das ideias erradas que nutria sobre mim mesma.
Compreendi que eu não precisava sofrer com os apelidos e conceitos errados sobre mim mesma, mas que tinha autoridade para vencê-los, pois Deus criou todos os homens e mulheres à Sua imagem e semelhança, com domínio sobre o mal e a injustiça.
Assim, comecei a me libertar aos poucos de preconceitos e a selecionar companhias pelo tipo de pensamento que nutriam. Também aprendi a gostar mais de mim mesma, a me achar bonita, a ser mais gentil com outras pessoas. Acima de tudo, passei a amar a todos de forma incondicional, independentemente de qualquer desagrado, porque compreendi que Deus não faz acepção de pessoas por raça, religião ou cultura. Formamos todos uma só família, somos filhos do mesmo Pai.
Encontrava neste versículo bíblico alento e força para meu crescimento espiritual: “O Senhor é longâmino e grande em misericórdia, que perdoa a iniqüidade e a transgressão, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta gerações” (Números 14: 18). Entendi que meu pai e as pessoas que me educaram eram inocentes. Além disso, como Deus não criou o mal e não castiga, eu não precisava sofrer pelos conceitos errados de outras pessoas a meu respeito.
A oração também contribuiu para que eu melhorasse meu relacionamento com meus familiares. No ano passado, minha tia me pediu perdão pela forma como havia me tratado no passado. Fiquei muito grata pela nobreza de espírito que ela expressou.
Edifiquei-me como pessoa, conquistei meu espaço na sociedade e adquiri equilíbrio emocional. Antes a insegurança não me permitia dar um passo sem antes perguntar a opinião de terceiros. Agora, procuro somente a orientação de Deus antes de tomar qualquer decisão. No trabalho, meus colegas e meu patrão passaram a me respeitar. Hoje, considero-me uma pessoa feliz.
Consegui prover uma educação equilibrada para meus filhos, que também estudam a Ciência Cristã. Fico feliz quando vejo que há jovens que procuram pensar por si mesmos para galgar seus espaços no mundo. Afinal, orar e buscar orientação em Deus é tudo o que se precisa para viver uma vida correta e boa. O humano é muito falho e limitado, por isso é bom desenvolver a espiritualidade, de forma a trazer à luz a natureza espiritual do homem.
Em Ciência e Saúde, aprendi esta importante lição: “A Verdade eterna está transformando o universo. À medida que os mortais se desfazem das fraldas mentais, o pensamento se expande em expressão” (p. 255). Assim, fui descobrindo e expressando gradativamente as qualidades inerentes ao meu ser espiritual e perfeito.
O preconceito é um mal que aprisiona a humanidade, é devastador. É preciso livrar-se o mais rápido possível desse mal, que procura impedir que o homem veja quão maravilhosa é a criatura que Deus criou, para ser livre e feliz. Deus dá a cada um a capacidade para pensar e fazer as escolhas corretas.
Sempre procuro me volver a Deus para sentir a certeza em atitudes sábias, cuidando para não agir de forma que venha a desdenhar de meu próximo, governantes, empresas ou instituições, pois tudo e todos fazem parte da obra inteligente e perfeita de Deus.
A Ciência Cristã me despertou para minha verdadeira identidade, revelou-me a liberdade e a beleza da vida que expresso, como filha amada de Deus.


Teresinha mora em São Paulo, SP, onde trabalha em uma empresa de purificadores de água.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Inteligência divina – disponível a todos

Patrícia Fernandez Nunes Dörr de Senne

Lembro-me de que, quando estava na sétima série, tive muito medo de enfrentar o ano escolar seguinte. Minha prima, que estava uma série na minha frente, contava-me das dificuldades em determinadas matérias e dizia que eu, certamente, também as enfrentaria. De certa forma, acabei interiorizando o medo e criando um bloqueio em mim mesma na hora de estudar.

Foi nessa época que decidi colocar em prática os ensinamentos da Ciência Cristã, aprendidos na Escola Dominical e no estudo diário da Lição Bíblica Semanal.

Encontrei alento na Lição Bíblica, que consta do Livrete Trimestral da Ciência Cristã, porque entendi que eu posso sempre expressar inteligência e dominar o conhecimento de determinada matéria. Deus é onisciente e nós somos o reflexo de Sua onisciência. Portanto, passar para a próxima série significaria progresso natural, o aprendizado seria normal, sem obstáculos, e minhas notas não seriam prejudicadas.

Quando comecei a pensar dessa forma, a vencer o medo, e a confiar mais em Deus e nas habilidades que Ele me dera, logo percebi evolução nos estudos. Minhas notas melhoraram muito, e a série seguinte se tornou a mais fácil; obtive as melhores notas da classe. Percebi que, a partir dali, não mais teria obstáculos nos estudos.

Essa experiência me acompanhou durante toda a vida acadêmica e me deu sabedoria para lidar com situações mais complexas, como a animosidade de certos professores na universidade. Na época, consegui superar o problema por compreender que cada um deles era o reflexo de Deus e todos podiam transmitir o conhecimento sem excluir ou favorecer ninguém. Pensar dessa forma me ajudou a superar essas questões e a prosseguir meu curso de Direito de forma sábia.

Constatei que as leis humanas contêm falhas e, por isso, precisamos sempre nos voltar às leis divinas, que são infalíveis. Deus é onipotente e onipresente. Essas são leis espirituais básicas que realmente nos ajudam a transpor os obstáculos das leis humanas.

Mary Baker Eddy define a Ciência Cristã como “leis divinas da Vida, da Verdade e do Amor” (ver Ciência e Saúde, p. 107), e essas são leis universais. É interessante notar como, à medida que entendemos melhor essas leis divinas, que regem todo o universo, conseguimos interpretar melhor a lei humana, e saber como aplicá-la no dia a dia para resolver algum problema. Confiar em Deus e seguir a inspiração divina tira de mim a carga da preocupação, pois reconheço que Ele está presente e governa tudo em harmonia.

Gosto deste trecho de Ciência e Saúde: “Deus dotou o homem com direitos inalienáveis, entre os quais estão o governo de si mesmo, a razão e a consciência” (p. 106). Podemos exercer nosso direito nato de expressar perfeição, de viver bem e de sermos felizes.

Manter firme esse pensamento me ajudou muito nos anos da faculdade. Eu estudava com afinco e no período de provas ia confiante de que somente Deus controlava a situação e de que minha função era ser uma transparência para o conhecimento divino. Como resultado, sempre tirava notas muito boas.

Eu procurava sempre explicar para meus colegas que todos podiam manifestar a mesma tranquilidade e obter boas notas, pois todos expressamos a inteligência divina e somos capazes de demonstrar isso.

Certo dia, uma amiga que estava prestes a se formar, contou-me que estava muito nervosa com a apresentação de sua monografia de conclusão de curso. Acalmei-a dizendo que ela teria o domínio sobre o assunto porque havia se preparado adequadamente. Além disso, Deus, como a Mente que tudo sabe, lhe daria todas as ideias necessárias para se conduzir eloquentemente diante da banca examinadora.

Contudo, à noite ela me ligou para me contar que havia trocado de orientador e ficou sabendo que a banca examinadora incluiria seu antigo orientador, que poderia estar ressentido e praticar alguma retaliação.

Procurei tranquilizá-la, dizendo-lhe que essa pessoa estaria lá para avaliar o trabalho acadêmico realizado, independentemente do fato de ela ser ou não orientanda dele. Assegurei-lhe também que expressaria o conhecimento divino e estaria acompanhada de um Pai amoroso que provê apenas carinho, amparo e proteção. Dessa forma, como filhos de Deus, todas as pessoas presentes refletiriam o Amor e estariam ali não para prejudicá-la, mas para ajudar. Esses pensamentos a tranquilizaram.

À noite, orei e no dia seguinte, na igreja de Ciência Cristã que frequento, comentei o assunto com uma professora da Escola Dominical. Imediatamente, essa professora me garantiu que manter a confiança em Deus e em Seu poder presente e atuante é a maneira pela qual podemos demonstrar as leis divinas de harmonia. Aquela conversa me deu ainda mais força para apoiar minha amiga pela oração.

Duas horas após a apresentação da monografia, ela me ligou para contar que havia tirado dez no trabalho de conclusão.

Fiquei muito feliz pelo seu sucesso, porque percebi que ela aplicou as ideias da Ciência Cristã sobre as quais havíamos conversado, e ela sentiu-se confiante durante a apresentação.

É muito bom comprovar que o bem é universal e beneficia toda a humanidade, pois Deus, como Pai-Mãe todo amoroso, provê apenas o melhor para todos.

Patrícia mora em Sapucaia do Sul, RS

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cura de doença cardíaca

Havia chegado ali para reverter completamente meu pensamento a respeito da doença de minha mãe...”. Todos os dias, nós a levávamos do quarto para a sala e gentilmente a colocávamos em uma poltrona. Algumas vezes, a levávamos para tomar sol. Ela permanecia imóvel, até que minha esposa ou eu a levássemos de volta para o quarto, para ser alimentada ou para tomar banho.
Esse era o estado de minha mãe havia três anos. O diagnóstico era de uma cardiomegalia, um crescimento do coração, e o tratamento, conforme descrito pelo médico, era tomar a medicação durante toda a vida. A doença fazia com que todo o seu corpo inchasse, dos dedos dos pés ao rosto.
Embora orasse por ela durante todo o tempo, ela não era Cientista Cristã e respeitávamos sua decisão de ir com frequência ao médico e tomar os medicamentos. Depois de uma de suas visitas ao médico, ela me disse que não iria vê-lo novamente e, a partir daí, recusou-se a tomar a medicação. Ela e eu costumávamos orar juntos diariamente, antes de ela se deitar, mas nesse dia ela nem mesmo quis orar. Disse-me que seu corpo estava todo tomado pela doença, e que não havia nada mais a fazer. Como Cientista Cristão, surpreendi-me respondendo que ela refletia a Deus e, como Sua ideia, não podia saber nada sobre perder o interesse pela vida, uma vez que “nele vivemos, e nos movemos...” livremente (Atos 17:28).
Tinha uma decisão a tomar. Eu a amava muito e admirava seu papel em minha vida. Desde o falecimento de meu pai, quando eu tinha apenas um ano, ela havia criado sozinha meus irmãos e a mim. Naquela noite, antes de ir para a cama, sentia-me oprimido e quebrantado, mas reafirmei que o Pai-Mãe Deus, que tudo sabe, é responsável por todos nós. Ele sabe o que é bom para cada um de nós em qualquer situação. Sabia que tudo que fosse necessário seria revelado a mim. Naquela noite, acordei assustado duas vezes e, em ambas as vezes, orei para reconhecer o caráter perfeito de Deus, de minha mãe e de todos. A ideia de domínio me veio fortemente à mente.
No dia seguinte, acordei mais cedo do que de costume, fiz minhas orações matutinas, e fui direto para a casa da minha mãe. Minha filha mais velha, que havia passado a noite com ela, abriu a porta e perguntou por que eu acordara tão cedo. Fui direto para a cabeceira da cama de minha mãe e percebi que havia chegado ali para reverter completamente meu pensamento a respeito de sua doença, como também para ver que ela refletia a Deus sob todos os ângulos. Eliminei todo o pensamento de piedade e desespero, e reconheci Sua presença, amor e bondade enchendo todo o quarto. Veio-me ao pensamento “a exposição científica do ser”, que se encontra no Ciência e Saúde: “Não há vida, verdade, inteligência, nem substância na matéria...” (p. 468). Minha mãe não podia ser material porque a Mente infinita governa. À medida que orava, recusava-me a ver minha mãe como uma pessoa doente na cama. A única mãe que conheço é a filha perfeita de Deus, intacta e sem deformidade, radiante, sempre manifestando Suas qualidades de harmonia e saúde. Senti um amor muito profundo por ela naquele momento. De repente, fui surpreendido pelo chamado dela. Ela tentava sentar-se na cama.
Ajudei-a e lhe dei a mão. Pela primeira vez em um ano de confinamento na cama, caminhamos juntos até a sala. Repetimos o Pai Nosso, e então preparei seu chá e fui para o trabalho. Quando retornei à noite, ela estava fora e se apoiava em uma bengala. O inchaço no corpo havia desaparecido, e eu estava transbordante de amor e gratidão a Deus. Ela se restabeleceu completamente e tem estado ativa desde aquele dia.
Minha mãe recentemente me disse que acredita no poder da oração. É meu profundo desejo servir e amar a humanidade por meio da cura. Saber a verdade, apoiar-me nela e caminhar com ela. Então, a vitória é garantida.


Richard Guda Ndong’a, Ahero, Kenya