terça-feira, 31 de agosto de 2010

A oração e o processo político

Ron Ballard


As eleições em todo o mundo obrigam os políticos a deixarem seus cargos, os partidos a se alternarem no poder e, consequentemente, acarretam em transformações nos planos de ação governamentais. O desejo por mudança é um refrão comum que se ouve em toda parte durante o período eleitoral. De fato, cidadãos em todo o mundo, em lugares tais como a República Checa, Coreia do Sul, Taiwan e Zimbábue, esperam por mudanças em seus governos, depois da contagem dos votos.

Ao pesquisar esse assunto mais a fundo, descobrimos que existe, por trás desse desejo global generalizado por mudança, um impulso, uma demanda muito subjacente por uma política mais eficaz, ao invés de apenas a “política corriqueira”. Por exemplo, uma pesquisa recente nos Estados Unidos sugere que, embora os cidadãos tenham expectativas elevadas para seus líderes, essas expectativas estão mescladas por um “otimismo com traços de cinismo” (ver pesquisa feita por Knowledge Networks, 18-28 de janeiro, conduzida por AP-Yahoo News Survey).

Existe uma maneira de nos livrar dessa atmosfera de cinismo e fazer um progresso real? Buscar uma compreensão mais clara sobre Deus, o Princípio divino, como a única fonte verdadeira de poder e de governo, é uma boa maneira de se começar. É cômodo ficar enredado na política de personalidade e depositar nossas esperanças em certos candidatos. Entretanto, a fim de conseguirmos um governo confiável, criativo e compassivo, é essencial volver nosso olhar para esse Princípio unificador, ao invés de focar em pessoas.

Uma promessa bíblica em Isaías enfatiza que: “...o governo está sobre os seus ombros...”(9:6). Essa passagem profetiza a vinda do Messias, ou Cristo, que veio para difundir a mensagem poderosa do amor de Deus na vida das pessoas, e que traz paz e ordem à experiência diária. Durante uma conversa, perguntaram a Jesus a quem se deveria pagar tributo. Jesus, mostrando uma moeda, perguntou de quem era a efígie que aparecia nela. A resposta foi que era de César. Jesus então explicou: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21). Em termos modernos, isso poderia significar dar crédito aos propósitos práticos que sustentam o governo. Muito justo. Mas, e quanto às coisas que pertencem a Deus, como nossa felicidade, segurança, bem-estar, liberdade e autogoverno? Todas essas coisas têm sua origem nEle.

É fácil supor que o bem-estar possa ser afetado pelo partido político que detenha o poder, mas é libertador compreender que o que realmente governa não é a forma humana de governo, mas a divina. Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, enfatiza em seus escritos que a libertação final provém da compreensão das leis espirituais que governam o universo. Ela certa vez definiu a Ciência Cristã como “a lei de Deus, a lei do bem, que interpreta e demonstra o Princípio divino e o governo da harmonia universal” (Rudimentos da Ciência Divina, p. 1). Sua descoberta abriu as portas da cura para muitos que estavam sofrendo de todo tipo de doenças e imposições mentais que comprometiam seus direitos de autogoverno. Mary Baker Eddy também era frequentemente procurada na qualidade de formadora de opinião a respeito dos acontecimentos do mundo, na virada do século XX. Ao aceitar sua eleição para a Associação de Conciliação Internacional, uma organização dedicada à resolução de conflitos por meios pacíficos, ela observou: “A lei humana é correta somente na medida em que segue o modelo divino. O consolo e a paz se fundamentam no senso iluminado do governo de Deus” (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Vários Escritos], p. 283).Um senso iluminado do governo de Deus incluiria naturalmente a totalidade de Sua natureza. A Bíblia se refere à natureza de Deus com termos como: Amor, Verdade e Mente. Conforme explicado em Ciência e Saúde, esses sinônimos essenciais nos proporcionam vislumbres da variedade infinita de maneiras como Deus governa Seu universo.

O Amor é universal e incondicional

A liderança do Amor divino abençoa a todos. Não existe nenhum perdedor sob o governo do amor, ninguém é deixado de fora ou excluído. De fato, a lei do Amor opera no melhor interesse de todos. No ambiente político, no qual os pontos de vista frequentemente se opõem, é fácil aceitar que as esperanças serão frustradas, não cumpridas ou comprometidas, a menos que um determinado candidato ganhe. Mas mesmo que o processo político contrarie nossos desejos, ele não está imune à oração. O governo divino é único e sempre proporciona o que melhor promove nosso verdadeiro bem-estar. Nossa convicção desse fato ajudará a elevar e melhorar o cenário humano Torna-se então importante nos volvermos ao Amor divino para a satisfação tanto das nossas necessidades, como das necessidades de cada cidadão de nosso país, não importando qual candidato assuma o cargo. Nunca poderá haver um lugar, alguma situação ou circunstância em que o amor de Deus não esteja presente, satisfazendo às necessidades de todos.

A Verdade é absoluta, consistente e inflexível

O governo mediante a Verdade divina expressa sabedoria, empatia e está fundamentado em padrões espirituais firmes que regem nossa vida. O fato positivo é que a verdade universal está mais distante do conjunto de opiniões humanas controversas e mais próxima das formas pelas quais as pessoas se relacionam naturalmente umas com as outras e com Deus. Em uma época em que o debate é estimulado por opiniões e tendências, muitas vezes apoiadas em acusações que envolvem questões morais, as pessoas anseiam por encontrar um critério espiritual que possam seguir e no qual possam confiar.

Tomemos a Regra Áurea da Bíblia: fazer aos outros o que desejamos nos façam (ver Mateus 7:12). A Regra Áurea aparece sob alguma forma em toda literatura sobre sabedoria do mundo e tradições religiosas. Poder-se-ia dizer o mesmo a respeito do Decálogo ou Dez Mandamentos, sobre os quais grande parte da lei está fundamentada. Por que? Seria porque essas verdades foram comumente aceitas ou porque são inatas ao coração de cada pessoa? Deus, a Verdade divina, guia os princípios e os padrões que intuitivamente compõem nossa vida e podemos recorrer a Ele por orientação. À medida que tomamos decisões sobre partidos e candidatos, podemos reconhecer que esses padrões espirituais estão dentro de nós. Esse saber consciente nos assegura que o governo está, de fato, “sobre Seus ombros”.

A Mente instila integridade, honestidade e confiabilidade

A inteligência divina nos eleva a um nível mais alto de pensamento, raciocínio e interpretação. O governo pela Mente instila integridade e valoriza a honestidade e a confiabilidade.

Na trilha das campanhas da atualidade, os “esquadrões da verdade”, que seguem no encalço das promessas feitas pelos candidatos durante discursos políticos e debates, são muito comuns e frequentemente agem por meio de sites na Internet. Esses esquadrões tentam confrontar os fatos reais com as declarações e os comentários feitos. Com frequência, comentários feitos pelos candidatos fora de contexto acabam sendo considerados como pontos de vista. No final, pontos de referência são desconsiderados e aspectos importantes de questões chave passam ignorados. Essa tática é para moldar ou manipular o pensamento público, para a vantagem de um dos lados. Infelizmente, nesse processo, a integridade é, em geral, descartada.

Entretanto, o reconhecimento do governo pela Mente divina permite que as pessoas percebam claramente as ideias, compreendam a complexidade dos conceitos e suas implicações, e apreciem uma questão por inteiro, sob todos os seus aspectos. Não existe nada oculto, sonegado, confuso ou manipulado para essa inteligência divina. Fazer escolhas com base na percepção da Mente é ir além do que simplesmente criticar um determinado candidato ou uma questão e encontrar a sabedoria que faz com que nossa decisão “...imite a divina” (Ciência e Saúde, p. 542).

Orar por mudança no campo político também traz à baila a questão: “Quais são nossos motivos”? Estamos orando para que uma pessoa ou um partido ganhe de outros ou que somente a questão do voto leve a melhor? Descobri que é extremamente necessário, embora desafiador, abandonar resultados preconcebidos e realmente buscar uma solução mais elevada. É interessante observar que, por volta da virada do século XX, Mary Baker Eddy pediu a todos os membros de sua Igreja para orarem pela resolução da guerra russo-japonesa.

Inicialmente, ela solicitou aos membros para “orarem para que Deus abençoe com paz e prosperidade aquela grande nação e aquelas ilhas do mar” (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 279). Entretanto, à medida que o tempo passava e antes que o conflito terminasse, ela pediu que aquela oração específica cessasse. Quando questionada a esse respeito, explicou: “Citei, como nossa necessidade atual, fé na disposição que Deus dá aos acontecimentos” (Ibidem, p. 281). Talvez ela estivesse apontando para a necessidade de as pessoas se empenharem por um objetivo ainda mais elevado do que “paz e prosperidade”, por mais desejáveis que esses objetivos fossem. Esse objetivo mais elevado talvez fosse compreender que o fator de orientação para a paz mundial reside na confiança e na fé em um Deus que é capaz de manter Sua criação de maneira ordeira, mesmo que a “disposição que Deus dá aos acontecimentos” não combine, necessariamente, com as expectativas e os cronogramas humanamente bem planejados.

Devem cessar nossas orações e nosso envolvimento com as eleições, quando os votos forem contados e o resultado determinado? De muitas maneiras, a verdadeira campanha apenas começou. A simples escolha de candidatos não encerra o envolvimento das pessoas no campo da política. Assegurar-se de que as decisões e os motivos espirituais corretos sejam continuamente considerados torna-se nossa real campanha eleitoral, um comprometimento de apoio, em espírito de oração, que permeia cada dia de nossa vida.

Ao se referir a outro conflito que seu país enfrentava (a guerra entre os Estados Unidos e a Espanha pela libertação de Cuba), Mary Baker Eddy ofereceu este incentivo de coragem sobre a questão do envolvimento: “Orai para que a presença divina possa também guiar e abençoar a autoridade máxima de nossa nação, as pessoas ligadas a esse cargo executivo de confiança, bem como o nosso sistema judiciário; e para que dê sabedoria ao nosso congresso e sustente o país com o braço direito de Sua retidão” (Christian Science versus Pantheism [A Ciência Cristã versus Panteísmo], p. 14).

Como pode alguém se proteger contra a negatividade, se o resultado de uma eleição parecer menos do que o ideal para essa pessoa? A despeito de qual “lado” ganhe a eleição, as atitudes sobre os resultados têm historicamente causado dissensão. Em décadas recentes, como também em uma escala global, os partidos que perderam eleições têm despendido muito tempo e energia desafiando e, em alguns casos, criticando aqueles no poder. Embora a crítica construtiva possa ser um agente catalisador para um governo melhor, a crítica destrutiva, especialmente do tipo que espera pelo fracasso daqueles no poder, pode ser danosa para toda uma nação. Aqueles que compreendem a importância de um governo “sobre Seus ombros” ajudarão esse governo, afastando-se da tentação de reagir a traços de personalidade, e buscando o bem comum.

Um dos grandes líderes do mundo ocidental, Abraham Lincoln, chegou à presidência extremamente despreparado para enfrentar o desafio da guerra civil em seu país. Entretanto, no final ele atribuiu o enorme crescimento de caráter e desenvolvimento moral que vivenciou enquanto esteve no poder às orações de seus conterrâneos.

À medida que os cidadãos, em todo o mundo, se reunirem para votar, esperando por uma mudança transformadora, podemos confiar sabendo que a oração por um processo político eficaz realmente faz a diferença. Não importa quem ou quais questões vençam, nada pode derrubar o fato espiritual de que Deus governa. Confiar na disposição que Deus dá aos acontecimentos expande a oração para além das fronteiras do nosso lar e faz com que todo o bem não seja somente possível, mas que seja universal.
 

Ron Ballard é Praticista e Professor de Ciência Cristã e mora em Ashland, Oregon, EUA. Também é membro do Conselho de Conferências da Ciência Cristã.

Uma simples mudança de pensamento

O programa de rádio El Heraldo (edição de O Arauto em espanhol), entrevistou José Rodríguez Peláez, de Málaga, Espanha. José se dedica à cura espiritual como Praticista da Ciência Cristã e profere conferências públicas sobre esse tema.

 

El Heraldo: Qual foi o impacto que a Ciência Cristã teve em sua vida?

José Rodríguez Peláez: Assim que obtive o livro Ciência e Saúde, precisei colocar em prática o que estava aprendendo com sua leitura, pois minha esposa recebera um diagnóstico de que estava com uma doença fatal. Os médicos disseram que ela viveria apenas alguns meses. No entanto, após ter orado durante seis meses e recebido tratamento espiritual de um Praticista da Ciência Cristã, ela foi completamente curada. Os médicos consideraram essa cura um milagre.

El Heraldo: O que isso significou para você?

JRP: Veja, durante muitos anos trabalhei como psicoterapeuta em Málaga, e era muito respeitado em meu campo profissional. Eu era bem sucedido financeiramente, tinha propriedades e levava uma vida saudável. Quando minha mulher recebeu o diagnóstico médico de que tinha uma doença incurável e, em seguida, foi curada pela oração da Ciência Cristã, passei a questionar minha vida profissional. Ficou claro para mim que estivera trabalhando no campo da saúde por amor pelas pessoas, contudo, aqui estava eu, ainda tratando meus pacientes da maneira tradicional, em vez de tratá-los pela oração. Compreendi que minha resistência à mudança na forma como trabalhava provinha do receio de que não receberia provisão suficiente. Pareceu-me que se eu mencionasse aos meus pacientes o que havia acontecido em minha vida, eles pensariam que eu havia perdido minha sanidade mental e que, consequentemente, deixaria de ganhar os honorários necessários à minha subsistência.

Entretanto, acabei chegando à conclusão de que o mesmo Deus que havia curado minha esposa, era também o meu sustento. Cristo Jesus ensinou a necessidade de se ter consciência do governo de Deus. Ele disse: “...buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). Aceitei essa promessa integralmente e decidi dedicar minha vida à Prática Pública da Ciência Cristã. Continuo vivendo confortavelmente, com a diferença de que minha esposa e eu desfrutamos muito mais a vida. Também enfrentamos momentos em que tivemos de reconhecer que Deus é fiel à Sua promessa.

El Heraldo: Existe algum caso específico que você queira nos contar?

JRP: Sim. Há três anos, tivemos de enfrentar algumas despesas consideráveis para as quais não tínhamos os recursos necessários. Portanto, minha esposa e eu começamos a orar, alicerçando nossa oração no fato de que Deus sempre cumpre Suas promessas, como garantem as primeiras páginas do Gênesis, nas quais lemos que Deus fez tudo bom e que criou o homem à Sua imagem e semelhança. Espiritualmente, somos o homem da criação de Deus. Uma vez que Ele é tanto infinito como o Tudo-em-tudo, Ele é toda substância. Já temos tudo o de que necessitamos, porque esse “tudo” é parte integrante do nosso ser. O fato é que somos uma criação divina, a própria imagem de Deus, a própria Vida. Essa é uma lei que não depende de nós, mas opera infalivelmente, da mesma maneira que o sol aparece todas as manhãs.

Ora, minha esposa possuía alguns terrenos nas montanhas e, durante um período de 12 anos ela desejava vendê-los, mas não havia compradores. De acordo com as leis da Espanha, os lotes eram pequenos demais para construção. Portanto, só poderiam ser utilizados para agricultura. Certo dia, contudo, recebemos um telefonema de um senhor que queria comprar as terras e nos ofereceu um preço muito bom. Embora estivéssemos muito felizes com a oferta, achamos que ele deveria estar equivocado. Como não queríamos lhe causar nenhum dano, fomos conversar pessoalmente para deixar claro que ele não poderia construir um imóvel na propriedade. Ele disse que estava ciente desse fato, mas que essa terra valia muito para ele, e acabou comprando todos os terrenos e pagando uma quantia três vezes maior do que estávamos necessitando.

El Heraldo: Fale-nos um pouco sobre o que a oração significa para você.

JRP: Geralmente confundimos oração com implorar, recitar ou pedir. A verdade é que Deus não sabe nada sobre meu problema, ou que eu necessite de algo que esteja faltando em minha vida. Para mim, a oração consiste em reconhecer o que já está aqui.

A Bíblia contém uma passagem em que Hagar é expulsa de casa, está vagando sozinha no deserto com seu filho Ismael e eles estão morrendo de sede. Ela decide se volver a Deus para ouvir uma mensagem ou inspiração divina, que chamaríamos de anjo, e que a fizesse perceber o que é de fato verdadeiro, que o que ela necessitava já estava presente. Então, ela descobre uma nascente de água que ela não conseguira ver antes.

Algumas vezes, parece que estamos em um mundo de sombras, privados da luz de Deus, enquanto que, na presença da luz solar, tudo desabrocha, existe luminosidade e alegria. Orar é precisamente se volver a Deus e perceber a realidade espiritual que não provoca medo ou preocupação, mas paz e alegria. A realidade nos ajuda a ver que já temos tudo, porque somos filhos de um Pai-Mãe terno e amoroso.

El Heraldo: O que você está dizendo aqui é interessante, pois significa que quando enfrentamos situações difíceis, o bem já estava presente em nós, apenas não o havíamos percebido.

JRP: Exatamente. O bem é a única coisa que sempre esteve e está presente, o mal nunca existiu ou existe. Entretanto, algumas vezes precisamos de coragem e firmeza para reivindicar esse bem. Lembro-me de um amigo que estava indo bem, tinha um emprego em um grande banco que lhe pagava um alto salário. No entanto, cada vez que eu o via, ele me dizia o quão infeliz e deprimido estava nesse trabalho. Perguntei-lhe o que gostaria de fazer, e ele respondeu que, na verdade, gostaria de ser artista e tocar sua guitarra. Perguntei-lhe por que ele não fazia isso, e ele respondeu que não podia ganhar a vida dessa forma.

Esse é o problema. Acreditamos que a fonte de suprimento é algo separado de Deus, algo que temos de ganhar com nosso próprio esforço. Mas um emprego não é a verdadeira fonte de suprimento, é apenas uma oportunidade para refletir as qualidades que Deus nos deu.

Por um bom tempo não ouvi mais falar do meu amigo, até que, alguns anos depois, disseram-me que ele tinha saído do banco e estava feliz ganhando a vida tocando guitarra em concertos. Em outras palavras, todo o bem, a fonte de suprimento, é Deus, que sempre o havia acompanhado, mas como estava buscando o bem em outro lugar, ele se sentia infeliz e escravizado, uma vez que não fazia o trabalho que realmente gostava. Todos nós temos algo de maravilhoso para oferecer ao mundo, e nosso sustento não provém do suor do nosso rosto. O suprimento é realmente o sorriso de Deus.

El Heraldo: Alguém talvez possa argumentar que existe um Deus que nos sustenta, mas que as leis da economia dizem o contrário.

JRP: Posso imaginar Jesus, cercado por mais de cinco mil pessoas. Ele sente compaixão por essa multidão de pessoas, porque já é tarde e haviam estado com ele há várias horas, estão com fome e não é seguro dispensá-los em tais condições. Ele se volta para seus discípulos e diz: “...Dai-lhes vós mesmos de comer...” (Lucas 9:13). Seus discípulos lhe dizem que têm apenas cinco pães e dois peixes, e que isso não é suficiente para alimentar tanta gente. Em outras palavras: “Temos tão pouco, como é que conseguiremos resolver tantos problemas”? É exatamente isso que o panorama econômico nos diz hoje: “Como é que vamos resolver tantos problemas com os parcos recursos que temos em mãos”?

Então, Jesus toma os pães e os peixes, eleva o pensamento acima de todas as limitações que nos oprimem, reconhece que a abundância do bem já está presente para todos e alimenta a multidão.

Jesus considerou esse desafio uma oportunidade para que a luz, a verdade, reaparecesse; para que o medo se dissolvesse e o terno cuidado de Deus se manifestasse. Mary Baker Eddy escreveu: “Na relação científica entre Deus e o homem, descobrimos que tudo o que abençoa um, abençoa todos, como Jesus o mostrou com os pães e os peixes — sendo o Espírito, não a matéria, a fonte do suprimento” (Ciência e Saúde, p. 206).
 

El Heraldo: Portanto, orar é se volver para essa fonte mais elevada...

JRP: Exatamente. Há uma citação no livro Miscellaneous Writings (Escritos Diversos) 1883–1896, de Mary Baker Eddy, que, para mim, resume o que estamos falando. O trecho diz: “Deus vos dá Suas ideias espirituais e elas, por sua vez, vos dão o suprimento diário” (p. 307). O que se segue é interessante: “Jamais peçais para amanhã; é suficiente o fato de o Amor divino ser uma ajuda sempre presente; e se esperardes, jamais duvidando, tereis tudo o de que necessitais, a cada momento” (Ibidem, p. 307).

Orar é se volver para a fonte divina de suprimento, é abençoar, o que significa dizer boas palavras, anunciar o bem. A fim de dizer coisas boas, primeiro, temos de pensar coisas boas. Precisa haver uma mudança de mentalidade, porque quando pensamos de forma temerosa não pensamos na atmosfera da verdade espiritual, na realidade do Amor, na qual só existe confiança e harmonia. Pensar no bem é pensar como Deus pensa, é saber que tudo já existe, já está pronto. Quando pensamos dessa forma, os problemas são resolvido.

José Rodríguez Peláez, de Málaga, Espanha, se dedica à cura espiritual como Praticista da Ciência Cristã e profere conferências públicas sobre esse tema.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Sementes Divinas

Rosicler Ribeiro de Campos

A definição de semente do Dicionário Michaelis—“aquilo que, com o tempo, há de produzir certos efeitos; causa, origem”—fez-me ponderar sobre a ideia de que a semente divina está dentro de cada um de nós.


Assim como é natural desabrocharem rosas nas roseiras, é de nossa natureza desabrocharmos em amor, pureza, alegria, temperança, bondade, justiça e compaixão, perfumando e trazendo cura, beleza e paz ao mundo.


Nós somos, desde sempre, os filhos e as filhas de Deus, criados como Sua ideia, a partir da semente perfeita, única, intocada. Tudo o que é bom, certo, digno, completo e harmonioso já faz parte de nós, é nosso agora, o será amanhã e por toda a eternidade.


Na natureza uma semente não precisa “se esforçar” para dar seus frutos ou flores. Como reflexos de Deus e de Sua natureza espiritual, Seus filhos e filhas também não precisam se esforçar para expressar os frutos e as flores das qualidades divinas. A semente tem conhecimento de si mesma e já contém todo o necessário. Como filhos sempre amados pelo nosso Pai-Mãe Deus, vivemos para expressar Sua graça.


Pode vir chuva, na forma de lágrimas, desilusão e sofrimento; pode vir o frio, como abandono, solidão e falta de perspectiva; pode vir o calor excessivo, por meio de ódio, desespero, desarmonia e medo, mas a semente divina, a qual contém compreensão, força espiritual e confiança, continua intocada e certamente germinará.


A reflexão de que somos sementes divinas me veio em uma ensolarada manhã de primavera, quando observava um pequeno vaso de flores, o qual continha uma espécie de orquídea, cultivada para dar uma única florada, conforme explicara o vendedor da loja em que eu tinha adquirido o vaso, fazia alguns meses. Quando as flores já haviam caído e parecia que a plantinha definhava, fiquei com pena de jogar fora o vasinho e o deixei na soleira de uma porta externa, onde ficou esquecido. Durante aquele período a planta não foi regada, protegida das intempéries ou adubada.


Alguns meses depois, naquela manhã em especial, ao prestar atenção ao vasinho percebi duas perfeitas flores desabrochadas e alguns delicados botões, como uma promessa do Amor.


A lição que essa surpreendente florada me trouxe foi clara e bela. A semente perfeita da orquídea não estava sujeita ao que o vendedor acreditara, de que a planta não floresceria mais de uma vez. Mesmo tendo ficado exposta ao sol, à chuva e ao vento, a flor não dependera nem mesmo de meus cuidados para mantê-la viva e saudável. Era muito simples: a planta continha a semente da orquídea e era da sua natureza dar flores. A semente nada sabia das opiniões humanas, das condições climáticas ou da necessidade de ter alguém para protegê-la. Estivera silenciosamente recolhida em sua certeza e confiança, preparada para dar flores no momento certo.


Recolhi a linda plantinha com o coração enternecido, admirei as delicadas cores de suas flores e a mantive em um vaso de vidro para apreciar essa maravilhosa lição.


Na Bíblia, muitas passagens falam sobre a natureza vista sob uma perspectiva divina. Ao estudar o Evangelho de João, vejo que Jesus mostrou que o tempo e a visão humana são limitados para ver a obra divina: “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa” (4:35). Na Primeira Epístola de João, encontrei outra passagem que confirma nossa natureza divina: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente...” (1 João 3:9).


Tais mensagens de confiança eliminam a ansiedade, o medo, a insegurança e a angústia, além de nos mostrar uma nova forma de olhar para a vida e para o mundo. São mensagens que nos impelem a confiar na perfeição de Deus, em Seu poder e em Seu amor por todos, até mesmo por aqueles que se consideram impuros, doentes, solitários, desanimados, confusos, humilhados, tristes ou pecadores. São mensagens que nos fazem acalmar os pensamentos e mergulhar no mais íntimo de nosso ser, onde está a perfeita semente, em quietude, pronta para germinar assim que alinharmos o pensamento a Deus. Nesse lugar não entram vontade pessoal, planos humanos, nem tempo; não entram o poder político ou as condições econômicas.


Mary Baker Eddy escreveu em Ciência e Saúde: “Deus expressa no homem a idéia infinita que se desenvolve eternamente, que se amplia e, partindo de uma base limitada, eleva-se cada vez mais. A Mente manifesta tudo o que existe na infinidade da Verdade. Nada mais sabemos do homem, como verdadeira imagem e semelhança divina, do que sabemos de Deus” (p. 258). Onde está a semente há apenas a doce certeza de que o filho e a filha de Deus existem para expressar única e constantemente os frutos e as flores, as qualidades de Deus que brotam da semente divina.


Floresçamos e frutifiquemos! Confiemos na sabedoria suprema de nosso Pai-Mãe e nutramos os atributos de Deus, que é Amor, Verdade, Vida, Alma, Princípio, Mente, Espírito, e aguardemos a florada que abençoa a nós e a toda a humanidade. A semente divina está em nós, agora mesmo. Essa certeza nos basta!


Rosicler é Redatora Chefe da Revista Casa Sul e mora em Curitiba, PR, com seu esposo e três filhas.

Deus estabelece vida, não extinção

Bea Roegge


“Vou de bicicleta para o trabalho”, disse uma senhora em um programa de rádio, ao responder a uma pergunta sobre o que as pessoas poderiam fazer para retardar o aquecimento global. Ela sabia que a emissão de gases provenientes de automóveis movidos a gasolina é reconhecida como a principal causa para o aquecimento global e, portanto, optou por deixar seu carro na garagem a maior parte do tempo.


As atitudes humanas e seu impacto sobre o meio ambiente estão detalhadas em um relatório publicado recentemente pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), órgão da ONU (Organização das Nações Unidas). Embora vários aspectos do relatório mereçam nossas orações, como também nossas ações inspiradas pela oração, o que mais me chamou atenção foi o fato de que um aumento de pouco mais de 3 graus na temperatura do planeta Terra pode resultar na possível extinção de quase 30 por cento das espécies, dentro dos próximos cem anos.


Essa informação pode soar um tanto abstrata, mas ainda que pensemos apenas em termos das criaturas consideradas importantes para o bem-estar da humanidade, isso é um fato muito grave. Abelhas e borboletas polinizam frutas, pássaros devoram insetos nocivos, plantas e animais selvagens são fontes de alimento para pessoas em culturas desenvolvidas e em desenvolvimento. À medida que lia o relatório, sabia que precisava orar com mais profundidade sobre esse assunto.


Um pensamento que me ajudou muito foi o fato espiritual de que a vontade de Deus estabelece a vida, nunca morte ou extinção. Deus não vê a criação através da lente da matéria. De acordo com o relato bíblico da criação no primeiro capítulo do Gênesis, tudo foi criado espiritualmente por Deus, o Espírito. Isso significa que a realidade do nosso universo é espiritual e está fundamentada no Amor divino, muito embora esse talvez não seja um fato óbvio ou até mesmo reconhecível em alguns lugares.


Entretanto, apenas reconhecer a natureza espiritual eterna da criação de Deus não nos dá o direito de ignorar as ameaças à existência de qualquer espécie. Uma oração que provavelmente seja universal entre os cristãos nos foi dada quando os discípulos de Jesus lhe pediram que os ensinasse a orar. Conhecida como Oração do Senhor, ou Pai Nosso, ela incluiu a declaração: “...faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu...” (Mateus 6:10).


A fim de respeitar a vontade de Deus que estabelece vida, desejaremos adotar atitudes e ações em prol da existência. Isso talvez envolva mudanças no estilo de vida, se necessário, ou uma busca ativa de maneiras criativas de se preservar o planeta e seus habitantes. Compreender a ideia de que a realidade é espiritual e eterna ajudará a nos livrar de sentimentos de desesperança ou apatia. Em vez de ficarmos desanimados pelo que parece uma inevitável perda de espécies ou por um problema que pareça grande demais para ser resolvido, podemos descansar sobre o fundamento de que a vontade de Deus é pela preservação da vida, jamais pela morte. Nossas orações, como também as ações inspiradas pela oração, constituem-se em um meio eficaz para confirmar que a vontade de Deus a favor da vida pode ser feita e está sendo feita exatamente agora.


Veio-me uma peculiar inspiração sobre a própria ressurreição de Jesus. Seus inimigos certamente desejavam ver sua vida extinta, mas, embora tenha sido considerado como morto e enterrado, ele ressuscitou da sepultura, reapareceu para seus discípulos em várias ocasiões antes de ascender. A crucificação que pretendia exterminá-lo foi frustrada. Os fatos espirituais, e que contradizem as aparências materiais, preservaram sua existência humana e seus ensinamentos.

 

A matéria não é a vida real das espécies ameaçadas de extinção
 


Essa experiência reforça a realidade de que a matéria não é a verdadeira vida do homem e do universo. Uma vez que a criação de Deus é espiritual, realmente podemos dizer que a matéria não é a vida real das espécies ameaçadas de extinção. Mary Baker Eddy, uma profunda pensadora espiritual, escreveu em Ciência e Saúde: “É erro evidente por si mesmo supor que possa haver tal realidade como a vida orgânica, quer animal ou vegetal, quando essa assim chamada vida sempre acaba na morte. A Vida jamais se extingue, nem sequer por um momento” (p. 309).


Se Deus, a Vida, nunca está extinto, nem mesmo por um momento, então podemos confiar em que a Vida nos guiará rumo a ideias e ações que afirmam a Vida. Podemos nos disciplinar, no sentido de pensarmos de uma maneira afirmativa a respeito da vida: amar, ao invés de odiar, ser mais dócil em vez de reagir com raiva, esforçar-se por soluções inteligentes, em vez de soluções de conveniência. Apoiando cada escolha que fazemos quando oramos para que a vontade de Deus seja feita na terra, encontraremos maneiras de conviver com a vontade amorosa que não se limita em manter a vida dos animais, das criaturas do mar e das plantas, mas que também sustenta e estabelece nossa vida.


Outra coisa que me conforta é o fato de que, por mais válido que o relatório possa ser, ele não é a palavra final. Essas perdas não são inevitáveis, porque podemos tomar medidas, agora mesmo, as quais vão exatamente ao encontro da maneira como consideramos a criação, medidas essas que começarão a impulsionar a vida para uma direção mais espiritual. Cada um de nós pode fazer isso por meio de nossas orações e de nossas escolhas individuais. Alguns de nós talvez possam ser inspirados a se tornarem muito ativos na redução da emissão de gases e outros poluentes, outros talvez possam fazer somente um pouco. Entretanto, cada passo ajudará a mudar o futuro e a revelar novas formas para que a vontade de Deus, que estabelece vida, seja um poder presente e atuante na preservação do planeta.


Bea é Praticista e Professora de Ciência Cristã em Chicago, Illinois, EUA