quinta-feira, 1 de julho de 2010

Deus estabelece vida, não extinção

Bea Roegge


“Vou de bicicleta para o trabalho”, disse uma senhora em um programa de rádio, ao responder a uma pergunta sobre o que as pessoas poderiam fazer para retardar o aquecimento global. Ela sabia que a emissão de gases provenientes de automóveis movidos a gasolina é reconhecida como a principal causa para o aquecimento global e, portanto, optou por deixar seu carro na garagem a maior parte do tempo.


As atitudes humanas e seu impacto sobre o meio ambiente estão detalhadas em um relatório publicado recentemente pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), órgão da ONU (Organização das Nações Unidas). Embora vários aspectos do relatório mereçam nossas orações, como também nossas ações inspiradas pela oração, o que mais me chamou atenção foi o fato de que um aumento de pouco mais de 3 graus na temperatura do planeta Terra pode resultar na possível extinção de quase 30 por cento das espécies, dentro dos próximos cem anos.


Essa informação pode soar um tanto abstrata, mas ainda que pensemos apenas em termos das criaturas consideradas importantes para o bem-estar da humanidade, isso é um fato muito grave. Abelhas e borboletas polinizam frutas, pássaros devoram insetos nocivos, plantas e animais selvagens são fontes de alimento para pessoas em culturas desenvolvidas e em desenvolvimento. À medida que lia o relatório, sabia que precisava orar com mais profundidade sobre esse assunto.


Um pensamento que me ajudou muito foi o fato espiritual de que a vontade de Deus estabelece a vida, nunca morte ou extinção. Deus não vê a criação através da lente da matéria. De acordo com o relato bíblico da criação no primeiro capítulo do Gênesis, tudo foi criado espiritualmente por Deus, o Espírito. Isso significa que a realidade do nosso universo é espiritual e está fundamentada no Amor divino, muito embora esse talvez não seja um fato óbvio ou até mesmo reconhecível em alguns lugares.


Entretanto, apenas reconhecer a natureza espiritual eterna da criação de Deus não nos dá o direito de ignorar as ameaças à existência de qualquer espécie. Uma oração que provavelmente seja universal entre os cristãos nos foi dada quando os discípulos de Jesus lhe pediram que os ensinasse a orar. Conhecida como Oração do Senhor, ou Pai Nosso, ela incluiu a declaração: “...faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu...” (Mateus 6:10).


A fim de respeitar a vontade de Deus que estabelece vida, desejaremos adotar atitudes e ações em prol da existência. Isso talvez envolva mudanças no estilo de vida, se necessário, ou uma busca ativa de maneiras criativas de se preservar o planeta e seus habitantes. Compreender a ideia de que a realidade é espiritual e eterna ajudará a nos livrar de sentimentos de desesperança ou apatia. Em vez de ficarmos desanimados pelo que parece uma inevitável perda de espécies ou por um problema que pareça grande demais para ser resolvido, podemos descansar sobre o fundamento de que a vontade de Deus é pela preservação da vida, jamais pela morte. Nossas orações, como também as ações inspiradas pela oração, constituem-se em um meio eficaz para confirmar que a vontade de Deus a favor da vida pode ser feita e está sendo feita exatamente agora.


Veio-me uma peculiar inspiração sobre a própria ressurreição de Jesus. Seus inimigos certamente desejavam ver sua vida extinta, mas, embora tenha sido considerado como morto e enterrado, ele ressuscitou da sepultura, reapareceu para seus discípulos em várias ocasiões antes de ascender. A crucificação que pretendia exterminá-lo foi frustrada. Os fatos espirituais, e que contradizem as aparências materiais, preservaram sua existência humana e seus ensinamentos.

 

A matéria não é a vida real das espécies ameaçadas de extinção
 


Essa experiência reforça a realidade de que a matéria não é a verdadeira vida do homem e do universo. Uma vez que a criação de Deus é espiritual, realmente podemos dizer que a matéria não é a vida real das espécies ameaçadas de extinção. Mary Baker Eddy, uma profunda pensadora espiritual, escreveu em Ciência e Saúde: “É erro evidente por si mesmo supor que possa haver tal realidade como a vida orgânica, quer animal ou vegetal, quando essa assim chamada vida sempre acaba na morte. A Vida jamais se extingue, nem sequer por um momento” (p. 309).


Se Deus, a Vida, nunca está extinto, nem mesmo por um momento, então podemos confiar em que a Vida nos guiará rumo a ideias e ações que afirmam a Vida. Podemos nos disciplinar, no sentido de pensarmos de uma maneira afirmativa a respeito da vida: amar, ao invés de odiar, ser mais dócil em vez de reagir com raiva, esforçar-se por soluções inteligentes, em vez de soluções de conveniência. Apoiando cada escolha que fazemos quando oramos para que a vontade de Deus seja feita na terra, encontraremos maneiras de conviver com a vontade amorosa que não se limita em manter a vida dos animais, das criaturas do mar e das plantas, mas que também sustenta e estabelece nossa vida.


Outra coisa que me conforta é o fato de que, por mais válido que o relatório possa ser, ele não é a palavra final. Essas perdas não são inevitáveis, porque podemos tomar medidas, agora mesmo, as quais vão exatamente ao encontro da maneira como consideramos a criação, medidas essas que começarão a impulsionar a vida para uma direção mais espiritual. Cada um de nós pode fazer isso por meio de nossas orações e de nossas escolhas individuais. Alguns de nós talvez possam ser inspirados a se tornarem muito ativos na redução da emissão de gases e outros poluentes, outros talvez possam fazer somente um pouco. Entretanto, cada passo ajudará a mudar o futuro e a revelar novas formas para que a vontade de Deus, que estabelece vida, seja um poder presente e atuante na preservação do planeta.


Bea é Praticista e Professora de Ciência Cristã em Chicago, Illinois, EUA

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