segunda-feira, 27 de abril de 2009

PARA OBTER A CURA: PONHA SEU PESO NO PRATO CERTO

Compreender que um problema é apenas uma falsa pretensão, não basta. Saber que é uma falsa pretensão nos conforta e nos prepara para orar ainda mais, mas não basta para efetuar a cura. É preciso continuar o raciocínio em oração, até compreendermos que não existe tal pretensão!

Deus é Tudo—é a única consciência. Como Deus é a Mente divina, Deus expressa Sua sabedoria no homem. Uma vez que a ação criativa da Mente é “saber”, nada se cria—não existe—a não ser que Deus o conheça. O homem, como uma imagem na Mente divina, sabe apenas o que a Mente lhe faz saber pela lei do reflexo. Deus é onipresente, onipotente, onisciente—é Tudo-em-Tudo. Portanto, nada há para proclamar uma pretensão contrária! Como Cristo Jesus o disse, o erro, o mal, é “mentiroso e pai da mentira”. A crença em qualquer forma de materialidade é uma falsidade em si própria, não tem origem nem lugar para existir, não tem ninguém para conhecê-la nem tem nenhum efeito. Ciência e Saúde deixa claro o nada do erro, nas seguintes palavras: “A ilusão, o pecado, a doença e a morte resultam do falso testemunho do sentido material, o qual, de um ponto de vista hipotético fora da distância focal do Espírito infinito, apresenta uma imagem invertida da Mente e da Substância, onde tudo se apresenta de cabeça para baixo”.Imagine-se o falso testemunho apresentando uma imagem invertida baseada num suposto ponto de vista fora da distância focal do Espírito infinito! Está claro que não pode haver aranhas nem crente mesmerizado! Não pode haver nenhum ataque cardíaco nem a pretensão de que haja algum! A mente mortal é “mentirosa” e é o “pai da mentira!”.

Raciocinar desse modo em oração e compreender que o indivíduo passa a ser a maioria quando seu pensamento se coaduna com a lei divina, faz a luz do Cristo incidir sobre a situação humana específica e lança nosso peso no prato da cura. Mas os estados de pensamento anteriormente mencionados—o medo, o sentido pessoal, a comiseração, a falsa responsabilidade, a participação mesmérica no erro e a falsa educação nas crenças e leis materiais—lançariam nosso peso em sentido contrário á cura.

Atualmente, o maior impedimento para a cura, no movimento da Ciência Cristã, talvez esteja na tentativa de misturar o tratamento pela Ciência Cristã com remédios materiais. Tal procedimento simplesmente não funciona! O tratamento pela Ciência Cristã afirma que o homem é espiritual. Quando alguém inverte seu curso e procura ao mesmo tempo remédios materiais ou busca diagnóstico médico, está realmente declarando: “Sou material”.Um método anula os efeitos do outro na balança da confiança mental, e a cura fica bloqueada até que a frivolidade de misturar os métodos seja compreendida e abandonada. Alguém pode até atrasar sua cura sem que, de fato, chegue a consultar um médico ou tomar remédios. Se, enquanto alguém recebe tratamento pela Ciência Cristã, mantiver no fundo da consciência a idéia de que, não sendo curado espiritualmente, ainda poderá recorrer á medicina, isto já é suficiente para impedir a cura. Enquanto sua confiança e esperança estiverem divididas entre Deus e a matéria, tal divisão impedirá a pessoa de ter confiança radical no Espírito suficiente para fazer pender a balança para o lado certo. Assim, a fim de efetuar a cura espiritual num caso desses, é preciso negar diretamente a pretensão de que o homem possa ser doutrinado com crenças materiais. Falando cientificamente, a falsa educação que um paciente parece manter em pensamento faz tão pouca parte dele como a doença; e somente necessita ser corajosamente enfrentada e curada.

A atração hipnótica e magnética da falsa crença na morte está entre os métodos da mente carnal que nos induzem a lançar peso no prato errado da balança. Dificilmente alguém aceitaria a ridícula sugestão de que lhe seria melhor estar aleijado ou de que mais fácil seria para ele e para todos se ficasse cego; mas talvez se deixaria levar pela crença mesmérica de que para ele a morte seria uma bênção ou facilitaria as coisas para a sua família. Este tipo de raciocínio predomina na sociedade. Nos hospitais, os pacientes com diagnóstico de doenças terminais, por exemplo, seguidamente acompanham sessões de aconselhamento visando a ajudá-los a aceitar a morte como parte natural da vida. Não obstante, desde o ponto de vista da Ciência Cristã, a morte não pode ser parte da vida. As duas são exatamente opostas. A realidade é a Vida divina e sua expressão; a morte não tem existência—é uma contradição.

A falsa teologia—outro fator importante em impedir a cura – também apoiaria essa pretensão de que a morte é uma amiga que liberta as pessoas do sofrimento e das condições materiais. Mas este ensinamento está em conflito direto com a missão de Cristo Jesus, que superou toda materialidade, inclusive a morte. Se a morte fosse realmente uma amiga, isto contradiria a inspirada declaração de Paulo: “O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as cousas(Cristo) sujeitou debaixo dos seus pés”.

A pretensão mesmérica de que a morte é inevitável e que é remédio a ser buscado, parece especialmente atraente nos casos de idade avançada. Mas o Cientista Cristão esclarecido está alerta e nunca lança seu peso na direção da morte, quer para si quer para outrem. Não temos por meta preservar a vida na matéria, e, sim, compreender a existência espiritual ininterrupta do homem—ver claramente que o homem nunca nasceu na matéria e, portanto, nunca pode morrer na matéria, que ele coexiste com Deus, expressando a eterna vida espiritual. A experiência humana reflete nossa aceitação atual da realidade divina e por isso a situação humana corresponderá de maneira apropriada à nossa compreensão no presente. “Como” não é da nossa preocupação. A nossa responsabilidade é apenas a de lançar todo nosso pensamento no lado da Vida.

Resumindo, podemos relembrar o que foi dito anteriormente: que precisamos não só ver o erro como uma falsa pretensão, mas também, persistir até perceber que, em realidade, não existe tal pretensão. A Sra. Eddy declara: “Dizer que há uma falsa pretensão chamada doença é admitir tudo o que a doença é; pois esta não passa de uma falsa pretensão. Para sermos curados, precisamos perder de vista uma falsa pretensão”.

Referindo-se ao anjo no Apocalipse que “se apresentou com balanças para pesar os pensamentos e ações dos homens”, a Sra. Eddy escreve: “Viestes para serdes pesados; e, no entanto, eu não vos pesarei nem vos farei pesar. Por quê? Porque Deus faz tudo e não há nada no prato oposto da balança. Não há dois pratos—Mente e matéria. Precisamos libertar-nos desse conceito. Da forma como geralmente pensamos, imaginamos que tudo estará bem se lançarmos algo no prato da Mente, mas precisamos compreender que a Mente não é pesada com a matéria; somente então estaremos trabalhando de um só lado e em conformidade com a Ciência”.

Não há oposição a Deus. Lemos em Jô: “Se ele resolveu alguma cousa, quem o pode dissuadir? O que ele deseja, isso fará”.Frente à totalidade, não pode haver lado oposto—nada no prato oposto da balança! Que não existe nada no prato oposto da balança fica provado, em certo grau, cada vez que uma cura acontece por meio da oração na Ciência Cristã.

by Patrícia Tupper Hyatt

sábado, 18 de abril de 2009

A cura pela mente: Sistema Humano ou Divino?

Os pesquisadores, tanto religiosos como leigos, estão dando atenção cada vez maior à conexão existente entre a mente e o corpo. Cresce a idéia de que, em certo sentido, a mente humana cria sua própria realidade e por isso tem controle considerável sobre suas próprias condições e funções. Muitos médicos reconhecem que há necessidade de levar em conta os fatores mentais, tanto quanto os físicos, no tratamento da doença.

Vista superficialmente, a ligação dos fatores mentais com o bem-estar físico, aceita pela psicologia popular e por certos setores da medicina, poderia parecer semelhante ao ensinamento da Ciência Cristã, de que o corpo é, em essência, uma manifestação do pensamento. A coincidência entre a Ciência Cristã e essas tendências modernas jaz no reconhecimento de que os fatores físicos não podem ser tratados isoladamente do estado mental do paciente. A grande diferença está em que os outros sistemas tentam controlar as reações do corpo pela mente humana, enquanto a Ciência Cristã entende que a cura vem da Mente divina, ou seja, Deus.

Referindo-se às diversas teorias e diferentes sistemas da chamada "cura pela mente", largamente debatidos em livros que circulavam antes da publicação de Ciência e Saúde, a Sra. Eddy escreve: "(Eles) têm sua origem na mente mortal, que apresenta um conceito humano em nome da Ciência, para equiparar-se à Ciência divina da Mente imortal, do mesmo modo como os necromantes do Egito se esforçaram por imitar as maravilhas operadas por Moisés. Tais teorias não têm relação alguma com a Ciência Cristã, que assenta no conceito de que Deus é a única Vida, substância e inteligência, excluindo a mente humana como fator espiritual na obra curativa".

Esse depender totalmente de Deus, a Mente divina, é o que torna a Ciência Cristã tão eficaz no campo da cura. É inerente a essa abordagem da cura a compreensão de que o homem, em verdade, é espiritual, uma obra do Criador, o Espírito divino, em vez de ser o produto de fatores genéticos ou de circunstâncias ambientais. Quando adotamos esse ponto de vista, reconhecendo que essa é a verdade sobre o Criador e a criação, passamos a ver a saúde de modo diferente. Começamos a perceber que encontramos saúde e bem-estar genuínos por meio de uma melhor compreensão do verdadeiro ser do homem como filho de Deus, e não por meio de uma análise do que parece ser uma unidade mente/corpo em mau funcionamento.

Isso não quer dizer que sejam sem importância um exame honesto de nós mesmos e o esforço de pôr nosso pensamento e nossa vida cada vez mais de acordo com as leis de Deus. Pelo contrário! Não podemos simplesmente ignorar o conteúdo do pensamento humano, pois é aí que a cura, em verdade, tem de ocorrer. Mas como?

Quando a mente humana errônea vê seus próprios pensamentos perturbados (tais como ira, ódio, medo, tensão) se manifestarem visivelmente sob a forma de doença, então o que se faz necessário é o auxílio de um poder superior a essa mente auto-enganadora, a fim de restaurar um sentido normal de bem-estar moral e físico. Esse poder libertador encontra-se em Deus, a Mente divina, e na influência sanadora de Seu Cristo. O tratamento baseado na Mente como a causa única ajuda a libertar o paciente das assim chamadas leis que impõem limites e são inerentes à estrutura mente/corpo definida psicologicamente. Dessa forma, desdobra-se uma visão totalmente nova de identidade e realidade.

Na Bíblia há um relato que mostra a insensatez de enredar-se nas tendências analíticas da mente mortal e carnal. É a história de Jó, um homem correto, abatido pela tragédia. Cada um dos amigos que vieram consolá-lo apresentaram em detalhes um diagnóstico teológico a respeito do sofrimento de Jó. Após muita discussão, Jó se cansa das teorias deles, que se baseiam na hipótese de que sua desgraça seria fruto de algum pecado pessoal. Ele os chama de "médicos que não valem nada" e diz: "Sois consoladores molestos".

Acaso esses pretensos auxiliadores não falharam num ponto que continua sendo um dos maiores obstáculos ao tratamento mental eficaz? Qualquer que seja a forma desse engano, sua natureza é a mesma. O pensamento se fixa no problema em si -- o que foi errado, quando, por quê -- ao passo que uma busca dos fatos concernentes a Deus e ao homem que Ele cria leva à regeneração e à cura.

A Sra. Eddy, baseada em sua experiência na prática da cura científica e cristã, escreve o seguinte: "Estamos constantemente pensando e falando do lado errado da questão. Quanto menos se falar ou se pensar sobre pecado, doença e morte, tanto melhor para a humanidade, seja moral, seja fisicamente. O maior pecador e o doente mais desesperançado são os que mais pensam na doença e no pecado; mas depois de terem aprendido que esse método não os salvou nem de um nem de outro, por que persistem? Por que seus conselheiros morais falam, no intuito de ajudá-los, justamente sobre os assuntos que os doentes prefeririam não mais ressaltar em sua vida? Argumentar a favor da realidade daquilo que deveria desaparecer é como lançar lenha no fogo."

No livro de Jó, Deus é finalmente ouvido, revelando Sua onipotência. O reconhecimento do poder e da presença de Deus é seguido pelo pleno restabelecimento da saúde e do bem-estar de Jó. O fato de que há quem pense que o relato sobre Jó não é história real não diminui o valor de sua mensagem. Esta foi endossada pelas obras de cura de Cristo Jesus, que não perdia tempo compilando estudos sobre desvios de comportamento. Ele restabelecia a saúde por meio da compreensão da inocência do homem como imagem de um Deus perfeito. Na obra sanadora do Mestre, fica evidente que ele punha o pecado a descoberto como uma concepção errônea sobre o homem e não como um fato da criação de Deus.

A Ciência Cristã, agindo em concordância com o ponto de vista de Jesus em relação à cura, silencia a agitação do pensamento humano por meio do poder da Mente única, Deus. Ajuda-nos a perceber que a doença não tem existência real que se origine de Deus. Faz-nos ver que o pensamento que reconhece a doença, analisa-a e quer saber quando irá embora é um falso sentido das coisas, não o efeito da Mente divina nem da verdadeira consciência do homem como semelhança daquela Mente. Por meio da oração que discerne o poder do Cristo, a Verdade, a falsa crença na doença é destruída, tendo como resultado a cura. Quando nada mais resta na consciência, que dê testemunho do sofrimento, este cessa.

Esse método de cura é eficaz não só no caso de males corpóreos, mas também no de cicatrizes mentais e emocionais. Uma jovem, conhecida minha, enfrentava problemas emocionais ligados a um conceito negativo de si própria. Ela havia lido sobre várias teorias psicológicas e casos semelhantes ao seu. Embora isso lhe tivesse dado um entendimento mais claro do problema, pouco contribuiu para a solução. Parecia-lhe tão remota a possibilidade de um dia reverter esse padrão autodestrutivo de pensamento e de comportamento, que muitas vezes sentia o desejo de morrer.

Volveu-se à Ciência Cristã em busca de auxílio. Ao obter uma compreensão melhor de sua identidade como filha amada de Deus, parou de ver-se como um ser mortal anômalo e começou a expressar mais força de caráter, mais amor pelos outros e menos ódio por si mesma. A depressão e as fantasias suicidas diminuíram, até desaparecer totalmente. Sua vida adquiriu novos propósitos.

A mente humana, mesmo equipada com as mais recentes teorias psicológicas, nunca pode igualar o poder da Mente divina para restaurar, mental e fisicamente, de forma completa, a vida de alguém. Necessário é alcançar a posição que está além do quadro aflitivo da identidade mortal e chegar a compreender que nosso eu é imortal e recebe toda substância e toda consciência do eterno Pai-Mãe, Deus, e vive em obediência tão só a esse poder. Quando a percepção dessa verdade do ser substitui a fixação no estado imperfeito de um suposto ser mortal, sentimos o amor salvador de Deus.

Na obra sanadora de Jesus e no tratamento pela Ciência Cristã de hoje, a cura não vem por meio dos esforços da mente humana; ela é o resultado da submissão da mente mortal e do corpo ao todo-poder da Mente divina. Essa cura pela Mente é científica, cristã e permanente.

by:Marceil Delacy

(Extraído de O Arauto da Ciência Cristã - maio 1993)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Doces recordações de Mary Baker Eddy (Continuação)

by Abigail Dyer Thompson

Quando vi pela primeira vez a Sr. Eddy, eu era uma criança feliz e amistosa, com um toque de timidez que me tornava uma boa ouvinte ao estar na companhia de pessoas mais idosas, e, acima de tudo, eu amava a Ciência Cristã. Intuitivamente, nossa Líder deve ter discernido isso, porque, de outra forma, no afã de sua vida cheia de ocupações, indubitavelmente eu não teria recebido tantas provas de seu amável interesse.
Sua gentileza se revelava de inúmeras maneiras, até mesmo em pequenos acontecimentos como o seguinte. Nas primeiras duas ou três vezes em que vim a Boston com minha mãe, a correspondência desta era remetida para a Faculdade de Metafísica de Massachusetts e eu para lá me dirigia diariamente a fim de buscar a correspondência.
Freqüentemente a Sra. Eddy passava pelo salão em que eu estava separando as cartas destinadas a minha mãe, e ela se detinha invariavelmente para falar comigo durante alguns momentos. Na ocasião em que mamãe participou pela primeira vez da classe, minha irmã e eu fomos convidadas a passar uma aprazível noite com a Sra. Eddy.
Em minhas freqüentes visitas a Boston, tive o prazer de muitas entrevistas com essa grande mulher e, certa feita, minha mãe e eu tivemos o privilégio de passar uma noite em Pleasant View, como seus hóspedes.
Perante vós eu hoje me ponho como testemunha viva da eficácia curativa da percepção da Verdade que essa maravilhosa mulher teve.
Duas vezes, durante minha infância, fui curada instantaneamente graças às ternas ministrações de nossa preciosa Líder, sim, fui curada do que os médicos consideravam como condições físicas desesperadoras.
Desde o nascimento, fui uma criança de saúde muito delicada, precedida de três gerações que sofreram de males pulmonares do lado de meu pai. Em certa ocasião, antes de ir com minha mãe para o Leste, apanhei um grave resfriado que me deixou com uma tosse seca profunda. Tão logo a Sra. Eddy me ouviu tossir, ela detectou rapidamente a gravidade de meu estado de saúde e deu-me um só tratamento, que era tudo o que eu necessitava para erradicar completamente qualquer vestígio de mal pulmonar. A tosse seca cessou de vez e, não só desapareceu esse mal tão aflitivo, como também foi destroçada toda a lei mortal que jazia por trás desse problema físico.
No decorrer dos anos que se seguiram, regozijei-me na completa liberdade de qualquer recaída dessa assim chamada enfermidade hereditária.
Cerca de um ano mais tarde, quando estávamos novamente em Boston, tive outra cura instantânea, em resultado da percepção poderosa da Verdade, por parte de nossa Líder. Dessa vez, fui atacada repentinamente e fiquei confinada ao leito com um mal muito doloroso nos quadris. Durante mais de uma semana, dia e noite, eu jazia atormentada pela dor, enfraquecendo cada vez mais, até que os sintomas assumiram uma forma alarmante. Minha mãe então recorreu à nossa Líder em busca de conselho. A Sra. Eddy, sabendo que mamãe vinha cuidando do caso sozinha e que ao mesmo tempo estava me proporcionando pessoalmente todos os cuidados necessários, provavelmente concluiu que a situação se tornara muito real no pensamento de mamãe e, para aliviá-la disso, aconselhou-a a entregar o caso a outro praticista. A pessoa sugerida trabalhou sinceramente durante alguns dias, mas o sofrimento não diminuiu.
Por fim, a dor se tornou tão intensa que minha querida e corajosa mãe ficou arrasada pelo desânimo e pelo medo quanto ao que poderia me sobrevir e, nessa situação extrema, após uma noite de sofrimento quase insuportável, apressou-se, às cinco da manhã, a ir à casa da Sra. Eddy. O Sr. Frye falou com mamãe na sala de visitas, explicando que seria impossível ver nossa Líder senão umas duas horas mais tarde. No entanto, a Sra. Eddy ouviu-os falar e, reconhecendo a voz de minha mãe, veio até o topo da escada e escutou a conversa.
Quando mamãe retornou ao meu quarto, alguns momentos mais tarde, ainda mesmo antes de chegar ao lado da cama, ela foi saudada pelo tom alegre de minha voz que lhe dava a mensagem com as boas-novas, "Mamãe, já melhorei." E logo nos demos conta, com enorme alegria, de que não só eu estava melhor, como completamente curada.
Retornando à casa de nossa Líder na hora designada, minha mãe deu-lhe a alegre notícia da repentina mudança em meu estado, ao que a Sra. Eddy, sorrindo, replicou em substância: Ouvi sua conversa hoje de manhã e disse para mim mesma: Chegou a hora de entrar neste caso e salvar essa criança. Pressurosa retornei ao meu quarto, sentei-me de qualquer jeito numa cadeira e imediatamente me voltei a Deus por essa cura.
Tão rápida foi a minha recuperação que, dentro de poucos dias, fui capaz de fazer uma viagem de quase dois mil e quinhentos quilômetros até nossa casa no Centro-Oeste e sem sentir qualquer desconforto. Durante os muitos anos que se seguiram, eu tenho me rejubilado com abundante saúde e, do mais profundo de meu coração, dou completo crédito por minha liberdade à inteireza e à permanência da percepção da Verdade que nossa Líder teve, do poder sanador de Deus.
Rememorando os anos em que conheci a Sra. Eddy, sempre acho que o segredo de seu enorme êxito não poderia ser explicado em nenhuma outra base que não fosse a de sua comunhão com Deus e seu espírito infinito de amor universal por toda a humanidade. Antes de eu fazer o Curso de Ciência Cristã com a Sra. Eddy, isto me foi dito com grande beleza numa conversa mantida com nossa Líder, em palavras similares às que ela usava ao descrever suas obras de cura, e isso, tanto quanto me recordo, foi assim: Vi o amor de Deus circundando o universo e o homem, enchendo todo o espaço, e esse Amor divino permeava de tal maneira minha própria consciência que eu amava com a compaixão do Cristo tudo aquilo que eu via. Essa conscientização do Amor divino fez expressar-se "a beleza da santidade, a perfeição do ser" (Ciência e Saúde, p. 253), que curava, regenerava e salvava todos os que me procuravam em busca de ajuda.
O modo como a Sra. Eddy disse a palavra "Amor"fez-me sentir que ela devia ter amado até mesmo uma folhinha de grama sob seus pés. A cura espiritual que Mary Baker Eddy começou há mais de três quartos de século, está aumentando em sua abundância ano após ano. Na medida em que o cântico de gratidão pela Ciência Cristã se erguer por todo o mundo, seu nome ficará gravado no coração, da humanidade; portanto, é natural que seus seguidores estejam ansiosos por, nas palavras das Escrituras, dar-lhe "do fruto das suas mãos", pois, "de público a louvarão as suas obras" (Provérbios 31:31).

Doces recordações de Mary Baker Eddy


By Abigail Dyer Thompson

"A vida de grandes homens e mulheres é um milagre de paciência e perseverança. Cada astro na constelação da grandeza humana, tal como as estrelas, estaca-se nas trevas e brilha com a luz refletida de Deus", escreve Mary Baker Eddy em sua mensagem sobre "Fidelidade",
no livro, Miscellaneous Writings (p. 340). De sua própria vida irradiou-se a maior iluminação espiritual dos tempos modernos, e com o passar dos anos apreciamos cada vez mais o valor de seu exemplo.
Agosto de 1886 deixou uma marca indelével nas minhas lembranças da infância. Minha mãe fora convidada a participar de seu primeiro curso Primário de Ciência Cristã sob a direção da Sra. Eddy, e eu a acompanhei a Boston. Como nos hospedamos numa casa particular próxima à Faculdade onde se realizava o Curso, quase todos os dias e via nossa Líder. Jamais esquecerei a grande alegria que senti, quando a vi pela primeira vez. Numa de minhas visitas anteriores a Boston, minha mãe e eu assistimos a um culto da Ciência Cristã realizado no Chickering Hall. Para nossa grande felicidade, o sermão naquela manhã foi pregado por nossa querida Líder, e após seu encerramento tive o prazer de acompanhar a minha mãe até a plataforma e falar com a Sra. Eddy. Cerrando os olhos ainda agora posso vê-la tal como ela se postou diante daquela congregação, cheia de graça, de fervorosa determinação, comovida, tendo em sua voz um tom de sinceridade que mantinha os ouvintes fascinados durante sua palestra.
Ninguém que tivesse tido a oportunidade de ver nossa líder alguma vez, poderia esquecer seu encanto pessoal. Quando a conheci pela primeira vez, havia em suas maneiras o vigor e a alegria de viver da juventude. Seu cabelo era castanho escuro e sua tez era rosada e clara como a de uma criança. Seus olhos castanhos escuros e cheios de luz se aprofundavam e brilhavam numa mudança tão rápida de expressão que era difícil determinar sua cor exata. Durante uma viagem à Europa, escrevi a nossa Líder pedindo-lhe uma fotografia que, segundo sua opinião, se parecesse com ela, pois eu queria mandar pintar seu retrato em porcelana, em Dresden. Três fotografias vieram pela volta do Correio. Ao retornar ao meu país, e antes de voltar para casa, fiz uma visita à Sr. Eddy em Pleasant View e lhe mostrei a miniatura. Após estudá-la durante alguns momentos ela comentou, em substância: Os olhos têm um castanho muito escuro. A seguir, acrescentou: Os artistas geralmente gostam de pintar meus olhos de castanho, mas nenhum parece conhecer sua cor exata. Caminhando até a janela, ela disse: Venha para a luz, querida, e diga o que pensa deles. Após olhar atentamente por um momento, exclamei: Ora, são de um cinza-azulado profundo, e eu sempre supus que fossem castanhos. No entanto, penso realmente que, assim como a expressão de seu rosto modificava-se constantemente, seus olhos por vezes adquiriam matizes diferentes.
Foi uma bênção e um privilégio tomar parte da última classe lecionada por nossa Líder. Devido a influência do profundo apreço de minha mãe pela Sra. Eddy como Líder inspirada por Deus, eu estava preparada para seguir com interesse absorvente cada palavra de sue ensino. Nunca serei o suficiente grata por terem sido despertados em mim, nos meus anos de infância, um amor e uma reverência pela Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã que abriram minha mente para ouvir, e me deram o desejo irresistível de compreender as coisas do Espírito.
Ao contemplar em pensamento as muitas e inspiradoras entrevistas com nossa querida Líder, eu as considero como os momentos mais excelsos de minha vida. Ela falava de coisas espirituais com uma intimidade que revelava vividamente sua visão à consciência de seu interlocutor, deixando neste uma impressão profunda e duradoura que não devia ser muito diferente daquela que os discípulos sentiram no mente da transfiguração.
Certa feita, quando nossa Líder estava falando comigo a respeito da importância de mais e melhor trabalho de cura em nosso movimento, ela perguntou se eu tivera o cuidado de manter um registro de meus próprios casos de cura que pudessem servir de referência no futuro.
Informei que nunca me ocorrera fazer qualquer anotação especial sobre eles. A isso a Sra. Eddy replicou, com seriedade, nestas palavras que acredito se aproximarem muito do que disse: Minha querida, seja fiel em manter um registro exato de suas demonstrações, pois nunca se sabe quando elas podem ser valiosas à Causa ao serem enfrentados os ataques contra a Ciência Cristã. Aí, acrescentou, com tristeza: Lamento dizer que no corre-corre de uma vida atarefada, é fácil esquecer-se até mesmo de experiências importantes, e lamento que isso tenha acontecido com muito do meu melhor trabalho de cura.
Essa querida e bendita benfeitora do mundo inteiro mal se dava conta de que, naquele momento exato, estava falando com alguém que devia anos de abundante saúde às aptidões de suas próprias demonstrações de cura!
Em outra ocasião, quando eu a estava visitando em Pleasant View, repeti a nossa Líder uma declaração que fora feita por um dos trabalhadores da Ciência Cristã, o qual naquela época ocupava um cargo de destaque. Eu não conseguia reconciliar o seu conteúdo com minha própria compreensão de metafísica e tinha decidido que, na próxima vez em que visse a Sra. Eddy, eu lhe perguntaria se era correto recusar-se a aceitá-lo. Em resumo, disse ela: Sua própria interpretação está inteiramente correta, e, neste sentido, quero deixar-lhe impresso um fato: não importa quão alta a posição que um Cientista Cristão possa ocupar dentro do movimento, nunca aceite o que ele possa dizer como sendo válido, a menos que seja possível consubstanciar essa declaração com o que consta no nosso livro-texto, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras.