domingo, 5 de dezembro de 2010

Cristo: presente no Natal e sempre


Durante uma visita à Alemanha na época do Natal, fiquei feliz por participar com meus anfitriões das atividades festivas em antecipação a essa data, as quais incluíam abrir as portas de um Calendário de Natal com janelinhas para cada um dos primeiros 25 dias de dezembro.
Esses calendários são muito festivos; cada pessoa recebe um pequeno presente quando uma nova janelinha é aberta, mas o propósito mais profundo é o de estabelecer uma atmosfera de alegre expectativa para o Dia de Natal e para a comemoração do nascimento de Jesus.
Durante séculos, os festejos do Advento têm se transformado em um tempo de expectativa pela Segunda Vinda de Jesus ou, em um outro sentido, uma consciência renovada do espírito-Cristo que inspirava a vida de Jesus.
A presença do Cristo já está conosco
Portanto, na época de Natal temos a comemoração da histórica vinda de Jesus e também da esperança e da promessa de que a presença do Cristo já está conosco, mediante o Consolador que Jesus prometeu aos seus seguidores.
Que sentido maravilhosamente ampliado essa percepção deu às minhas comemorações de Natal. Com o costume de abrir o calendário do Advento, expandimos nosso pensamento para um senso mais atemporal dessa data festiva.
No Dia de Natal celebramos, com grande honra e reverência, o nascimento de Jesus. Para mim, é também um dia que representa a comemoração da eterna vinda da mensagem do Cristo ao pensamento humano.
Mary Baker Eddy deu destaque a essa especial afeição pelo Natal, ao escrever: “Este dia significativo, coroado com a história da idéia da Verdade, — seu advento e natividade terrenos, — é particularmente caro ao coração dos Cientistas Cristãos; para eles, o aparecimento do Cristo, num sentido mais pleno, é muito precioso, e repleto de bênçãos divinas para a humanidade” (Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896, p. 320).
“Não vos deixarei órfãos”
Essas “bênçãos divinas para a humanidade” foram uma promessa que Jesus fez aos seus seguidores. Ele lhes disse: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco ... Não vos deixarei órfãos... o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as cousas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (João 14: 16, 18, 26).
Essa declaração algumas vezes foi assim interpretada: que Jesus voltaria na carne, em uma época futura, para estabelecer um novo reino terreno. Para mim, porém, indica algo que é muito mais próximo e mais imediato, ou seja, que esse reino está aqui, agora, e é revelado à medida que cada um de nós descobre a verdade de que somos os filhos de Deus, realmente espirituais.
Essa consciência da nossa espiritualidade é a revelação contínua da mensagem do Cristo, que está sempre presente para ajudar a humanidade.
Um dos significados da palavra consolador é “advogado” ou “intercessor” em favor daqueles que estão em necessidade. O Cristo, vindo para defender a nossa causa, exatamente quando mais precisamos, revela o sentido do Consolador que atua de forma contínua.
Ela estava estabelecida nas bênçãos da presença do Cristo
A verdade sobre esse eterno aparecimento do Cristo na consciência humana pode ter maravilhosos resultados de cura, como provou uma amiga minha. Certo verão ela recebeu, de vários médicos, o diagnóstico de câncer de mama. Foi marcada uma cirurgia, mas antes que essa ocorresse, minha amiga foi curada, ao compreender que ela estava estabelecida nas plenas bênçãos de uma manhã de Natal, nas bênçãos da presença do Cristo.
As ideias contidas nesta passagem de um dos artigos de Mary Baker Eddy a inspirou a orar pela cura: “A estrela que ternamente cintilou sobre a manjedoura de nosso Senhor concede a essa hora sua luz resplandecente: a luz da Verdade, para reconfortar, guiar e abençoar o homem, em seu empenho por alcançar a recém-nascida ideia da perfeição divina, que desponta sobre a imperfeição humana, - luz essa que acalma os temores do homem, carrega seus fardos, chama-o para a Verdade e o Amor e para a doce imunidade que estes proporcionam contra o pecado, a doença e a morte” (Miscellaneous Writings 1883–1896, p. 320).
O radiante esplendor dessa ideia lembrou minha amiga de sua verdadeira espiritualidade. Isso a acalmou e confortou. Quando fez o exame pré-operatório, constatou que estava livre de qualquer sinal do problema, e continua livre dessa doença.
Mary Baker Eddy foi uma testemunha da ativa presença do Cristo
Quando Mary Baker Eddy descobriu a Ciência Cristã, tornou-se uma testemunha da ativa presença diária do Espírito Santo, o Cristo Consolador. Essa compreensão constantemente inspirava sua obra de cura e ensino.
Ela escreveu em Ciência e Saúde: “O advento de Jesus de Nazaré marcou o primeiro século da era cristã, mas o Cristo não tem começo de anos nem fim de dias. Através de todas as gerações, tanto antes como depois da era cristã, o Cristo, como ideia espiritual — o reflexo de Deus — tem vindo com certa medida de poder e de graça a todos quantos estejam preparados para receber Cristo, a Verdade” (p. 333).
Essa preparação espiritual para receber Cristo, a Verdade, no período que antecede ao Natal, traz novas revelações, ao mesmo tempo em que amplia e inspira nossa comemoração do Natal. Mas conforme minha amiga provou, a mensagem sanadora do Natal, a de que Cristo está sempre presente, está conosco todos os dias!
David é Praticista e Professor de Ciência Cristã em Stanfordville, Nova Iorque, EUA.

Os dons de Deus


Após meu divórcio, vi-me sozinha com dois filhos para criar, ainda pequenos, e sem ter como me sustentar financeiramente.
Eu não queria depender de ninguém, por isso orei muito a Deus para que me inspirasse a fazer algo que me desse condições para me adaptar a minha nova situação e conseguir suprimento de forma sábia. Eu lia diariamente a Lição Bíblica Semanal e me sentia fortalecida com o estudo.
Precisava honrar meus compromissos financeiros dentro do prazo, por isso orava continuamente para conseguir os meios para tal. Certo dia, durante o estudo da Lição Bíblica, esta passagem me chamou a atenção: “Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Simão, que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos ou tributo: dos seus filhos ou dos estranhos? Respondendo Pedro: Dos estranhos, Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos. Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti” (Mateus 17:25-27). Essa passagem me fez perceber que Deus nos dá as ideias que nos proveem de tudo o que necessitamos. Assim como Pedro encontrou os meios para pagar o imposto cobrado, eu também teria a inspiração que me levaria a encontrar o suprimento e me possibilitaria honrar meus compromissos.
Lembro-me de que senti uma vontade muito grande de mexer com cabelos. Percebi que aquele seria o caminho, pois manuseava com muita destreza a tesoura e me sentia segura e criativa no cuidado de cabelos.
Decidi, então, fazer cursos de cabeleireira para me aprimorar e, à medida que os cursos evoluíam, notava que estava no caminho certo, em uma atividade que me completava plenamente. Era inspirada a criar novos cortes; desempenhava o que aprendia com alegria e destreza.
Notei que aquele era um dom natural que aflorava em mim, o que me fez rememorar algo que minha mãe sempre dizia aos meus oito irmãos e a mim: “Deus deu dons a cada um de Seus filhos; precisamos apenas saber qual é nosso dom e colocá-lo em prática, a fim de melhor servir a Deus”. Lembrar disso me trouxe alegria, afinal minha mãe era uma pessoa de muita fé, e por ela fomos apresentados aos ensinamentos da Ciência Cristã.
Certa vez, durante a leitura da Lição Bíblica, este trecho bíblico confirmou os ensinamentos que recebi na infância: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1:17). Percebi que Deus expressa Seus dons no homem, por meio de talentos que proveem a atividade correta e constante, a qual traz o sustento que não sofre variação, diminuição ou interrupção.
Entender que cortar cabelos era meu dom foi a resposta divina para as minhas orações. Agora eu sabia como obter o meu suprimento diário. Fazia meu trabalho com muito amor, entusiasmo, dedicação e alegria, fator que atraiu muitas clientes. Por gostarem do meu trabalho, elas me indicavam para suas amigas.
Assim comecei a ganhar meu sustento e a educar meus filhos, de forma confortável e sem passar necessidades. Por confiar em Deus, sabia que não poderia passar por crises ou privações. Coloquei-me em Suas mãos, confiante no Seu cuidado e na nova profissão que Ele reservara a mim. Ao fazer cada corte de cabelo, eu agradecia a Deus pela inspiração divina e por servir a Ele por meio de meu novo ofício. Ao atender bem as pessoas e vê-las saírem satisfeitas e felizes com meu serviço, sentia-me abençoada, por saber que elas haviam sido abençoadas.
Mesmo com a agenda lotada devido a tantas clientes, eu sempre reservava tempo para ler a Lição Bíblicadiariamente e para conciliar meu trabalho com os cargos na igreja. Fui professora da Escola Dominical e depois Primeira Leitora, atividades que exerci com muita dedicação, amor e harmonia.
Hoje estou aposentada. Meus filhos estão criados, formaram-se e estão bem estabilizados. Eles são a minha alegria. Eu vivo com tranquilidade e realizada por ter vencido todas as dificuldades que se apresentaram na minha vida, por me volver a Deus e seguir com fé as Suas orientações. Os ensinamentos da Ciência Cristã sempre foram, e até hoje são, a base espiritual que me traz sabedoria e sustento.
Diva mora em Joinville, SC.

Cura de apendicite do filho


Em uma manhã de um sábado ensolarado, coloquei-me em reflexão sobre o significado da palavra “acreditar”. Consultei o dicionário e me deparei com a seguinte definição: “dar crédito a; crer; ter como verdadeiro”.
Ao contemplar a beleza dos raios de sol refletindo e iluminando as árvores que eu via através da janela, pensei: “Deus está sempre presente em Sua criação”. Acreditei naquele pensamento natural e espontâneo e senti paz e alegria.
Então, perguntei-me: Se Deus está sempre presente, por que, às vezes, relutamos em acreditar, ter como verdadeira, a Sua presença, principalmente quando as dificuldades e os desafios se apresentam em nossa vida?
Não deveria a conscientização do bem ser natural e espontânea, conforme ocorreu quando observei a beleza dos raios de sol sobre as árvores?
Essa reflexão me levou a pensar sobre os diversos “treinos” que realizamos ao longo da vida, os quais, instintivamente, levam-nos à compreensão e à conscientização. Treinamos com persistência e perseverança o andar, o correr, o falar e os demais movimentos, desenvolvendo assim a nossa consciência corporal e a compreensão sobre ela.
Da mesma maneira, podemos treinar nosso pensamento a aceitar somente que Deus é o bem supremo e absoluto, que Ele está sempre presente e nos proporciona apenas o bem. Acreditar nessa única realidade nos capacita a vivenciar esse Amor incondicional e sua onipotência. Ter como verdadeira apenas a onipresença de Deus traz saúde, alegria, companhia, abundância e supre nossas necessidades.
Certa vez, Paulo, meu filho mais novo, queixou-se de fortes dores abdominais, febre e grande desconforto. Diante do quadro alarmante e repentino, meu esposo e eu decidimos levá-lo a um hospital para que ele obtivesse alívio da dor. Após alguns exames, recebemos o diagnóstico de apendicite, com a recomendação médica de que Paulo deveria passar por uma cirurgia. Permanecemos no hospital durante toda a noite, pois ele seria operado no dia seguinte. Durante aquelas horas, conversamos sobre a sua verdadeira identidade espiritual, como imagem e semelhança de Deus. Conscientizamo-nos da presença de Deus em seu ser e acreditamos no poder do Amor infinito. Creio que refletir sobre essas ideias eliminou o medo do pensamento de meu filho, que adormeceu.
Continuei a afirmar a verdadeira realidade e a me concentrar nas seguintes palavras de Mary Baker Eddy: “Tumores, úlceras, tubérculos, inflamação, dor, juntas deformadas, são apenas sombras de sonho dos que sonham acordados, imagens sombrias do pensamento mortal, que fogem diante da luz da Verdade” (Ciência e Saúde, p. 418).
Durante a madrugada, fui chamada para assinar os documentos referentes à cirurgia, que deveria ocorrer em breve. Mesmo assim, continuei a acreditar que para Deus tudo é possível e que o quadro de doença poderia ser revertido pela compreensão de que a sombra chamada “apendicite” é apenas um sonho e desaparece diante da luz irresistível e sanadora de Deus, a Verdade. Permaneci confiante no fato de que a verdade sobre a perfeição espiritual de meu filho seria comprovada.
Mais uma vez, algumas palavras de Mary Baker Eddy soaram em minha consciência: “É possível — é até dever e privilégio de cada criança, homem e mulher — seguir em certo grau o exemplo do Mestre, pela demonstração da Verdade e da Vida, da saúde e da santidade. ... Ouvi estes mandados imperiosos: ‘Sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste...’ ” (Ibidem, p.37). Dei-me conta de que como meu filho não está fora desse mandado bíblico impreterível, pode somente expressar a perfeição divina e imutável.
Ao amanhecer, um exame mais detalhado foi realizado e, após algumas horas, o médico nos disse que, após analisar cuidadosamente o exame, concluíra que a cirurgia não seria mais necessária e que a havia cancelado. Meu filho sentia-se bem e não apresentava nenhum dos sintomas da noite anterior, os quais não retornaram mais.
No mesmo instante, telefonei para minha filha que se preparava para as comemorações de sua formatura, que aconteceriam naquela noite. Com muita gratidão a Deus, disse a ela que poderíamos participar de sua festa e que seu irmão a acompanharia como padrinho, conforme havíamos planejado. Com naturalidade, ela afirmou: “Eu já sabia; na realidade divina a doença é sempre uma ilusão”!
A noite da formatura foi muito especial, repleta de alegria e gratidão. Para mim, essa experiência confirmou mais uma vez que reconhecer que os filhos de Deus têm direito inalienável ao bem traz saúde, paz e harmonia constantes.
Rose mora em São Paulo, SP.

Quando cheguei ao hospital, estava com muita dor e os médicos disseram que eu precisaria ser operado. Durante a noite, minha mãe orou, conversou bastante comigo e me assegurou que Deus estava cuidando de mim. Como aluno da Escola Dominical da Ciência Cristã, eu já conhecia esse modo de pensar. A situação era tensa, mas com aquelas palavras eu me acalmei, consegui dormir e acordei bem no dia seguinte. Fiquei muito feliz por não precisar ser operado. Aquelas dores não retornaram mais.
Paulo, 16 anos

domingo, 21 de novembro de 2010

O terno cuidado do amor que nunca falha


Recentemente, o governo americano propôs acrescentar aproximadamente 52 milhões de dólares aos Programas Especiais de Cuidado aos Idosos, os quais proveem apoio financeiro às famílias que cuidam de seus familiares idosos. O fato de a quantidade de americanos que cuidam de familiares idosos ter triplicado nos últimos dez anos, indica que essa é uma preocupação primordial na atualidade. É também gratificante saber que há um número crescente de pessoas engajadas nesse trabalho altruísta.
Essas informações talvez possam encorajar outras pessoas a ponderar com maior profundidade, a partir de uma perspectiva espiritual, a respeito do cuidado às pessoas em necessidade. Desse ponto de vista, poderíamos nos perguntar: “Não há em realidade apenas um cuidador constante e permanente, Deus, o Amor divino, sustentando e mantendo toda a criação”? O cuidado terno e amoroso do Pai-Mãe celestial é um amor que abrange a todos nós e nunca falha. Como a Bíblia o coloca: “De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3).
Entender que Deus é o cuidador de cada um de nós, muda nossa perspectiva a respeito da fonte de todo o cuidado amoroso que expressamos, como também da energia que sustenta esse cuidado. O amor e a doação altruístas que demonstramos não se originam em nós; provêm de Deus. Como um prisma que refrata a luz e exibe um arco-íris de cores, da mesma forma todas as ternas ações que envolvem a prestação de cuidados aos outros apontam para o espectro do amor procedente do Amor. Nossas inumeráveis ações na prestação de cuidados aos nossos familiares realmente têm sua origem no Amor e, como tal, são habilitadas pelo Divino. Assim como um raio de luz não brilha por conta própria, mas é energizado pelo sol, assim nós, como cuidadores, não precisamos achar que desempenhamos esse papel apenas por meio da nossa própria iniciativa. O Amor que nos motiva é o mesmo Amor que nos energiza e nos sustenta.
Porque obedecemos à lei divina quando ajudamos um ente querido, essa ação só pode resultar em bem, tanto para o cuidador, como para o beneficiado
A Bíblia fala do “Deus de toda consolação” (2 Coríntios 1:3), o Deus “que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus” (2 Coríntios 1:4). Uma cuidadora de idosos me disse certa vez que essa compreensão pode trazer alívio à fadiga, uma vez que esse é um dos aspectos mais desafiadores dessa função, que exige estar constantemente disponível. Entretanto, ao se apoiar na presença sustentadora de Deus, que é Vida, ela encontra a força e o consolo de que necessita. A Vida divina é infinita, indivisível. Fortalecida pela energia divina do Espírito (outro nome para Deus), ninguém jamais precisa estar sujeito à exaustão.
É interessante observar o que Mary Baker Eddy escreveu sobre as pessoas que prestam cuidados aos outros: “É proverbial que Florence Nightingale e outros filantropos empenhados em obras humanitárias puderam suportar, sem sucumbir, fadigas e exposição às intempéries, as quais pessoas comuns não teriam podido suportar. A explicação está no sustento que recebiam da lei divina, que se eleva acima da lei humana. A exigência espiritual, que silencia a material, proporciona energia e resistência que superam todos os outros auxílios e obstam a penalidade que nossas crenças procuram aplicar às nossas melhores ações. ...O trabalho constante, as privações, as intempéries e todas as condições adversas, se não houver pecado, podem ser suportados sem sofrimento. Tudo o que é de teu dever, podes fazer sem te prejudicares” (Ciência e Saúde, p. 385).
Compreender o poder e a presença da lei divina exclui a possibilidade de sofrermos uma penalidade por praticar a benevolência. De fato, porque obedecemos à lei divina quando ajudamos um ente querido, essa ação só pode resultar em bem, tanto para o cuidador, como para o beneficiado. Podemos elevar os cuidados prestados a outrem para além da esfera do trabalho meramente físico e compreendê-los como um apoio à qualidade crística e à dignidade de cada homem, mulher e criança.
Deus é a única força propulsora e o Espírito age de forma a sincronizar e a harmonizar todos os aspectos da criação
Outro desafio que às vezes aparece ao cuidador é o estresse, quando ele tem de se desdobrar para cuidar de várias pessoas ao mesmo tempo, ou, no caso de parentes próximos, até mesmo ajudando-os a pagar suas contas com enfermagem em domicílio ou em uma casa de repouso. O estresse sugere a ação de duas forças opostas. Por exemplo, se empurrarmos as duas mãos fechadas em punhos uma contra a outra, haverá estresse e pressão. Mas ao retirarmos a força de uma das mãos, o estresse desaparece. À medida que compreendermos que existe apenas um único poder em nossa vida, veremos que tudo pode cooperar de forma harmoniosa. O Espírito, Deus, é a única força propulsora, que age de forma a sincronizar e a harmonizar todos os aspectos da criação em uma sinfonia harmônica. Ao reconhecermos esse Princípio coordenador como o poder inteligente em nossa vida, livramo-nos do estresse. Um hino de que gosto muito faz essa colocação:
“Dissipa nossas vãs tensões,

E mostra aos nossos corações
Quão bela é Tua paz”
(>i>Hinário da Ciência Cristã, 49).

Ao orar por aqueles que necessitam de cuidados, é útil acompanhar as manchetes do noticiário, tais como: quase meio milhão de relatórios oficiais chegam ao conhecimento das autoridades a cada ano sobre maus-tratos a idosos, incluindo negligência flagrante. Entretanto, podemos orar confiantemente e declarar que no Amor divino, a Mente única, não existe nenhuma fonte para gerar uma ação inescrupulosa. Não há nenhuma razão para que uma pessoa tente tirar vantagem de outra. Pensemos nesta bela promessa na Bíblia: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5:6-7).
Podemos reconhecer constantemente que o amor de Deus envolve a todos, sempre
Algumas vezes, ao cuidar dos nossos entes queridos, percebemos que eles optaram por confiar, em parte ou totalmente, no tratamento médico. Muito embora talvez possamos optar por confiar exclusivamente na cura pela oração em nossa própria vida, acho importante respeitar a decisão dos outros. Isso às vezes oferece mais uma prova da nossa consideração amorosa para com eles, enquanto ponderamos silenciosamente qual a melhor abordagem para ajudá-los ainda mais. Manter nosso próprio pensamento a respeito de outrem sobre uma base espiritual é uma maneira perceptível de abençoá-lo.
Mary Baker Eddy compartilhou esta ideia: “Amados Cientistas Cristãos, conservai vossa mente tão cheia de Verdade e Amor, que o pecado, a doença e a morte nela não possam entrar. ... Os bons pensamentos são uma armadura impenetrável; assim revestidos, estais completamente resguardados contra os ataques do erro de qualquer espécie. E não só vós estais protegidos, mas também todos aqueles sobre os quais repousam vossos pensamentos, são dessa forma beneficiados” (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Vários Escritos], p. 210).
Nossas tarefas como cuidadores nos impelem a trazer para esse trabalho o mais elevado estado mental possível. Embora não ofereçamos um tratamento metafísico específico àquele que esteja recebendo cuidados médicos, podemos reconhecer constantemente que o amor de Deus envolve a todos, sempre. Nossas mãos talvez estejam engajadas em ministrar as necessidades humanas daqueles sob nossos cuidados, mas nosso coração e nosso pensamento podem estar seguros do cuidado todo-abrangente do Amor divino por todos os Seus filhos. Podemos acalentar profundamente o verdadeiro ser de todos, feito à semelhança de Deus, como saudável, íntegro e forte.
Exatamente onde as pretensas forças da matéria tentam nos diminuir e abater, exatamente aí, a única força real é Deus, que é Vida
Embora a imagem de homens e mulheres apresentados como seres materiais, sujeitos a envelhecimento, incapacidade e degeneração, possa se apresentar a nós, podemos afirmar que essa não é, de nenhuma maneira, a verdadeira vida deles. Essa é uma concepção equivocada, mas que representa também a oportunidade para trocarmos o sentido material pelo sentido espiritual que revela o corpo verdadeiro como inteiramente espiritual. A Bíblia nos exorta a considerar esta verdade: “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19). Certamente nosso verdadeiro ser é a corporificação da lei da harmonia de Deus, e o controle do nosso corpo verdadeiro nunca sai das mãos de Deus, Seu criador.
Como cuidadores, podemos manter no pensamento o conceito espiritual de nossos entes queridos como seres completos, radiantes, e expressando toda a gama das qualidades de Deus. Cada um deles é o reflexo de Deus, sempre em total plenitude. Exatamente onde as pretensas forças da matéria tentam nos diminuir e nos abater, exatamente aí, a única força real é Deus, que é Vida. Essa é uma força para o bem, uma adesão e coesão que mantêm todos os aspectos de homens e mulheres completos, sãos e harmoniosos, por toda a eternidade!
As ocasiões em que temos de cuidar dos outros nos convidam a sentir profundamente este mandamento bíblico: “...daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne...” (2 Coríntios 5:16). Podemos começar a repelir a imagem da humanidade como meramente carnal, e valorizar profundamente a natureza espiritual verdadeira de todos nós, refletindo o eterno frescor da Alma.
Podemos manter erguida a luz da Vida para os nossos entes queridos, mesmo quando pareçam estar em idade avançada

Cristo Jesus nos convida a nascer de novo, a ver a nós mesmos sem nenhum ponto inicial chamado nascimento, e sem um ponto final chamado morte. Ao conversar com Nicodemos sobre o novo nascimento, Jesus o comparou ao vento que sentimos sem saber de onde vem, nem para onde vai (ver João 3:1-15). Portanto, podemos pensar em nossos entes queridos em termos de infinidade. Nos escritos de Mary Baker Eddy há uma bela descrição do cuidado de Deus: “Esse é o grande Amor do Pai que Ele nos concedeu, e que conserva o homem na Vida sem fim e no ciclo único e eterno do ser harmonioso” (Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896, p. 77).

Podemos manter erguida a luz da Vida para nossos entes queridos, mesmo quando pareçam estar em idade avançada. A visão do mundo sugere a morte como inevitável. No entanto, um olhar cuidadoso sobre os ensinamentos de Jesus nos mostra que Deus nos conclama a expressar a vida eterna. Como cuidadores, podemos nos unir à mensagem do Cristo, que confirma a união consciente de todos com a Vida. Portanto, não há nenhuma pessoa, em termos individuais ou coletivos, que dê seu consentimento em morrer, porque só existe uma única Mente, com sua expressão infinita.
Há alguns anos, fui solicitada a orar por uma senhora que, na época, estava com 104 anos, e sofria de algum desconforto. A filha que cuidava dela não era Cientista Cristã, mas respeitava o desejo da mãe de recorrer ao tratamento da Ciência Cristã, quando necessário. Logo que recebi esse chamado, fui até a casa dessa senhora para visitá-la. Ao me encaminhar até seu quarto, senti o ambiente repleto de solicitude e reverência. Percebi também que seus parentes estavam prestando o mais terno e amoroso cuidado. Eles comentaram sobre sua longevidade e eu discerni que eles esperavam que o desconforto dela fosse curado espiritualmente durante minha visita.
O Amor Divino oferece, eternamente, tudo que seja necessário para nosso bem-estar

Passei algum tempo com aquela senhora, orando e mantendo o pensamento na luz da Vida. Terminei a visita, convidando-a a orar comigo o Pai Nosso em voz alta. Sua oração foi feita com total convicção, e com uma fidelidade sincera ao seu significado. De fato, naquele momento sentimos a atividade sanadora do Cristo, trazendo renovação de vida. Quando saí, ela estava se sentindo bem, feliz e em paz. Visitei-a outras vezes ao longo dos anos que se seguiram, até que me mudei daquela cidade. A cada visita, ela continuava a expressar uma grande fidelidade a Deus, e a demonstrar equilíbrio espiritual e graça. Como era animador conseguir me regozijar nesta verdade: “O homem, na Ciência, é tão perfeito e imortal agora, como quando ‘as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus’ ” (Unidade do Bem, p. 42).

Assim como a maré cheia ergue todos os navios, da mesma maneira as perspectivas espirituais mais elevadas da humanidade elevam o pensamento, partindo de uma base na matéria para um plano sobre o qual podemos ver a todos, tanto cuidadores quanto os que recebem cuidados, como sustentados pelo Amor. O Amor divino oferece, por toda a eternidade, tudo o que é necessário para nosso bem-estar. O Amor nunca nos falha, nem nos abandona.
Ao deixar que nossa solicitude em prestar cuidados aos outros se misture ao Divino, satisfaremos à necessidade humana mediante a graça divina. Acalentar nossos entes queridos como constantemente mantidos nos ternos braços do Amor inexaurível, sustentados pelo poder da Vida eterna, constitui-se no cuidado terno e amoroso que nunca falha!
Janet Clements é Praticista e Professora de Ciência Cristã em Chicago, Illinois, EUA.